Faria Lima: executivos do Goldman Sachs são indiciados por suspeita de fraude e estelionato
Os operadores do mercado financeiro do Brasil, em especial os chamados “faria limers”, gostam de posar de vestais quando o assunto é corrupção na política. Quando as garras da lei recaem sobre seus pares, o discurso contra a impunidade desaparece e é substituído em geral pelo silêncio.
Na segunda-feira (10), veio à tona que dois executivos do banco Goldman Sachs foram indiciados pela Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de fraude e estelionato em uma operação que envolve a Oncoclínicas, empresa especializada no tratamento de pacientes com câncer.
Felipe Guerra Acosta e Natan Lima Reinig são acusados de induzir ao erro a própria companhia, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Bolsa de Valores de SP (B3) e o mercado ao manobrarem para omitir a real participação do Goldman Sachs para evitar o teto estatutário de 15% das ações, gatilho que obrigaria o banco a realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para comprar os papéis dos acionistas minoritários.
De acordo com as investigações, ao alterarem a versão sobre quem detinha o controle das ações apenas quando a obrigação da OPA se tornou inevitável, os executivos mantiveram a participação acionária acima do limite legal sem efetuar o correspondente desembolso financeiro, resultando em prejuízos aos sócios minoritários.
O Goldman Sachs é uma das instituições financeiras mais influentes do mundo, responsável pela gestão de trilhões de dólares em ativos. O banco canaliza recursos de grandes investidores para private equity, mercado imobiliário, infraestrutura e fundos de crédito corporativo globalmente.
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