“O continente é nosso”: vídeo dos EUA provoca a América Latina
O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou na terça-feira (11) um vídeo que apresenta uma nova leitura da Doutrina Monroe e reforça a intenção de Washington de manter a liderança política, econômica e militar sobre a América Latina. A publicação integra a estratégia do presidente Donald Trump para ampliar a presença norte-americana na região e conter o avanço da China.
Com pouco mais de cinco minutos, o material recupera episódios da atuação dos Estados Unidos no continente para sustentar a atual política externa do país. Guerras, ocupações militares e interferências em governos latino-americanos aparecem como medidas adotadas para afastar potências estrangeiras e proteger os interesses de Washington no hemisfério.
A produção menciona a intervenção norte-americana em Cuba, em 1898, durante a guerra contra a Espanha, além da anexação de Porto Rico. Também aborda a ampliação da influência dos Estados Unidos no Caribe, a construção do Canal do Panamá, a crise dos mísseis em Cuba e as operações realizadas na Nicarágua.
Outro ponto destacado é a política adotada pelo presidente Theodore Roosevelt no início do século 20. A partir daquele período, Washington passou a reivindicar o direito de intervir em países latino-americanos considerados instáveis. Essa interpretação transformou uma advertência contra a presença europeia em um instrumento de controle regional.
Narrado por Kevin Marino Cabrera, embaixador dos Estados Unidos no Panamá, o vídeo associa essa trajetória histórica às ações recentes do governo Trump. A captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas é apresentada como uma operação planejada para demonstrar que a influência dos Estados Unidos no continente não seria novamente desafiada.
A mensagem evidencia uma mudança de prioridade na Casa Branca. Diante da expansão comercial e tecnológica chinesa na América Latina, o governo norte-americano pretende recuperar espaço estratégico e reafirmar sua posição como principal potência do hemisfério. O conteúdo também reacende o debate sobre soberania e intervencionismo na região.
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