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Gigantes do agro entram na mira por trabalho escravo no Brasil

(Foto: CPT/Arquivo)

Mais de 50 grandes empresas do agronegócio e de outros setores econômicos passaram a ser alvo de ações do Ministério Público do Trabalho (MPT), após a identificação de irregularidades trabalhistas em suas cadeias produtivas. Os dados, divulgados na quarta-feira (29), fazem parte do projeto “Reação em Cadeia”, que investiga vínculos entre grandes companhias e casos de trabalho análogo à escravidão no Brasil.

Entre os grupos citados estão gigantes como Cargill e JBS, além de outras empresas do setor alimentício e industrial. Juntas, essas companhias movimentam mais de R$ 48 bilhões e aparecem associadas a cadeias produtivas com registros de exploração ilegal de mão de obra.

A atuação do MPT inclui o ajuizamento de Ações Civis Públicas e a assinatura de Termos de Ajuste de Conduta com empresas e entes públicos, numa tentativa de responsabilizar não apenas o empregador direto, mas também quem se beneficia economicamente dessas práticas.

A estratégia adotada busca provocar mudanças na forma como grandes empresas controlam seus fornecedores. Entre as exigências estão auditorias frequentes, visitas técnicas periódicas e a implementação de mecanismos de monitoramento voltados aos direitos humanos. As medidas também preveem ações específicas para coibir trabalho infantil, tráfico de pessoas e condições degradantes de trabalho.

O levantamento revela que o problema atravessa diferentes setores da economia. No campo, os casos se concentram em atividades como pecuária, produção de carvão vegetal e cultivo agrícola. Já nas cidades, a incidência é maior na indústria têxtil e na construção civil. O estudo também aponta que transações bilionárias continuam sendo realizadas com fornecedores envolvidos em irregularidades, o que evidencia falhas no controle das cadeias produtivas.

Para o MPT, a persistência dos casos indica que as políticas adotadas por empresas ainda não são suficientes para prevenir violações. O órgão defende o fortalecimento da fiscalização e a ampliação da responsabilidade das grandes corporações como caminho para enfrentar o problema de forma mais efetiva.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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