Governo Lula vê plano dos EUA para impedir reeleição do petista
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a interpretar a atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como parte de uma ofensiva para enfraquecer o governo brasileiro e criar obstáculos à reeleição do petista em 2026. A avaliação ganhou força na quarta-feira (12), após a divulgação de um vídeo do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a Doutrina Monroe.
A percepção de integrantes do Palácio do Planalto foi revelada pelo jornalista Valdo Cruz, do g1. Na visão desses interlocutores, o conteúdo divulgado por Washington vai além de uma revisão histórica da política criada no século XIX e sinaliza uma tentativa do governo Donald Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina.
Assessores presidenciais consideram que Marco Rubio lidera a ala mais ideológica da diplomacia norte-americana. O objetivo principal, segundo essa análise, seria reduzir o espaço conquistado pela China no continente e aproximar os países sul-americanos dos interesses políticos e econômicos de Washington.
Nesse cenário, o Brasil ocuparia uma posição estratégica por ser a maior nação da América do Sul e manter relações comerciais relevantes com Pequim. A postura diplomática de Lula, marcada pelo diálogo com diferentes polos internacionais, também seria vista com resistência por integrantes do governo Trump.
No Planalto, o vídeo ainda foi recebido como um aceno às forças conservadoras da região. Auxiliares do presidente mencionam a relação de Rubio com aliados da família Bolsonaro e enxergam uma movimentação para impulsionar lideranças de direita enquanto administrações de esquerda são pressionadas.
A gravação reúne referências à Doutrina Monroe e a episódios recentes da atuação norte-americana no continente. Para integrantes do governo brasileiro, a iniciativa indica que os Estados Unidos pretendem recuperar protagonismo político nas Américas em meio à disputa global com a China.
Nos bastidores, a condução da estratégia chegou a ser tratada com ironia. Assessores compararam a equipe de Rubio aos personagens de Os Pinguins de Madagascar, por considerarem a política externa norte-americana improvisada e fortemente ideológica.
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