O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que declarações e movimentos recentes de Donald Trump, Javier Milei e Flávio Bolsonaro fazem parte de uma articulação para fortalecer a pré-candidatura do senador à Presidência em 2026. A percepção foi relatada por interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo Brasil de Fato.
Na análise de integrantes do Executivo, as críticas de Trump ao governo brasileiro e a participação de Milei em compromissos políticos ao lado de Flávio não seriam episódios desconectados. Esses gestos, segundo a leitura feita nos bastidores, ajudariam a projetar internacionalmente o parlamentar do PL e a apresentá-lo como representante brasileiro de uma aliança conservadora global.
Auxiliares de Lula consideram que o comportamento dos dois presidentes busca aumentar a pressão sobre o Brasil e oferecer respaldo externo à candidatura de Flávio. Enquanto Trump endurece o discurso contra o Executivo brasileiro, Milei comparece a eventos favoráveis ao senador e reforça sua aproximação com o bolsonarismo.
A avaliação ganhou força depois da convenção nacional do PL, realizada em São Paulo. Durante o encontro, Milei fez ataques a Lula, ampliando o desgaste diplomático entre Brasil e Argentina. Como resposta, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Glinternick Bitelli, para consultas em Brasília.
A medida indica que o governo pretende revisar a condução da relação bilateral. Na capital federal, Bitelli deverá apresentar um diagnóstico do cenário político argentino e discutir com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, quais providências poderão ser adotadas.
Apesar da irritação provocada pelas declarações de Milei, Lula decidiu não responder publicamente ao presidente argentino, mantendo qualquer reação na esfera institucional, e conduzida pela diplomacia brasileira. O objetivo é impedir uma escalada pública da crise e evitar que o confronto seja usado pela oposição para alimentar a campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro.
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