Facções criminosas e milícias ampliaram o controle sobre a distribuição de alimentos e outros produtos essenciais na Região Metropolitana do Rio, obrigando comerciantes a comprar mercadorias de fornecedores escolhidos pelos grupos.
A prática, identificada em municípios como Duque de Caxias e em bairros da Zona Oeste da capital, encarece itens básicos, afasta empresas regulares e provoca prejuízos bilionários à economia fluminense.
Em Duque de Caxias, criminosos que já dominavam o fornecimento de trigo passaram a controlar também a venda de ovos. Uma funcionária de supermercado relatou que a cartela com 20 unidades, antes adquirida por até R$ 10,50, passou a ser oferecida por R$ 14. Sem condições de aceitar o preço imposto, os responsáveis pelo estabelecimento retiraram o produto das prateleiras.
Levantamento divulgado pelo jornal O Globo identificou pelo menos 19 produtos e serviços submetidos a monopólios criminosos. A lista inclui arroz, farinha, ovos, bebidas, cigarros, gás, água mineral, materiais de limpeza, tijolos, areia, internet, transporte e serviços ligados à construção civil.
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Segundo a Firjan, os mercados ilegais retiram aproximadamente R$ 21,4 bilhões por ano da economia formal do estado. Samuel Rivero, especialista em Segurança Pública da entidade, aponta que a atuação criminosa prejudica a produção, a circulação de mercadorias e a competitividade das empresas.
O promotor Fábio Corrêa, coordenador do Gaesp, avalia que o fenômeno representa uma nova etapa do crime organizado. Depois do tráfico de drogas e da exploração de serviços clandestinos, as quadrilhas passaram a criar empresas e controlar cadeias de fornecimento.
Daniel Cerqueira, do Ipea, afirma que esse domínio reduz investimentos, empregos e produtividade. Já o delegado Jefferson Ferreira informou que investigações localizaram empresas ligadas a milicianos e ao Terceiro Comando Puro responsáveis pelo monopólio do trigo na Zona Oeste. Comerciantes que rejeitam as imposições enfrentam ameaças, roubos de carga e até assassinatos.
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