Guerra no Oriente Médio ameaça 20% do petróleo mundial
A ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã abriu uma nova frente de tensão no Oriente Médio com reflexos imediatos sobre a economia global. No centro da crise está o Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde circula, diariamente, cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no planeta.
A região também é rota estratégica para combustíveis refinados, como diesel, gasolina e querosene de aviação, destinados principalmente aos mercados asiáticos.
Com a troca de ataques e a ameaça de novos confrontos, navios passaram a enfrentar restrições para cruzar o Golfo. O impacto não se limita ao setor energético. Aproximadamente um terço do comércio global de fertilizantes, incluindo insumos como enxofre e amônia, depende da passagem pela mesma rota.
Países como Brasil, China e Índia estão entre os destinos frequentes dessas cargas, embarcadas sobretudo a partir de Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Sem alternativa logística eficiente, já que oleodutos e transporte terrestre têm capacidade limitada, qualquer bloqueio pressiona preços e amplia o risco de desabastecimento.
A indústria petroquímica também sente os efeitos. A escalada militar atinge uma das principais áreas exportadoras de polietileno do mundo, responsável por parcela relevante da oferta global.
O Porto de Jebel Ali, peça-chave na distribuição desse material, registrou danos após a queda de um projétil, com incêndio em um dos píeres. No Kuwait, operações portuárias foram temporariamente suspensas após incidentes semelhantes.
No transporte marítimo, grandes companhias anunciaram a suspensão de rotas pelo Golfo. A dinamarquesa Maersk e a francesa CMA CGM optaram por desviar embarcações, enquanto seguradoras elevaram prêmios ou cancelaram coberturas. O resultado é frete mais caro e viagens mais longas, com navios obrigados a contornar a África para chegar à Europa.
Além de energia e insumos industriais, o fluxo de alimentos também enfrenta obstáculos. A região é estruturalmente dependente de importações agrícolas, e atrasos logísticos podem agravar pressões inflacionárias em meio a um cenário já marcado por incertezas.
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