Investigação aponta venda de proteção policial e destruição de provas em SP
Uma operação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e da Polícia Federal desencadeou nesta quinta-feira (05) uma ofensiva contra um suposto esquema de corrupção instalado dentro da própria Polícia Civil paulista.
A investigação aponta que agentes públicos, advogados e operadores financeiros teriam se associado para manipular investigações, eliminar provas e favorecer investigados em troca de pagamentos ilegais.
De acordo com o Ministério Público, o grupo atuava em diferentes setores da corporação. Entre os locais citados nas apurações estão o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, e o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania.
A Justiça autorizou 11 prisões e 25 mandados de busca e apreensão. Até o momento, nove pessoas foram presas. Também houve determinação judicial para bloqueio de bens de investigados.
Entre os alvos estão sete policiais civis da ativa, além de um ex-agente que atualmente exerce a advocacia. Investigadores apontam que o policial Roldnei Eduardo dos Reis Baptista seria um dos principais responsáveis por articular o funcionamento do esquema.
Também tiveram prisão decretada os investigadores Rogério Coichev Teixeira e Ciro Borges Magalhães Ferraz, além do delegado João Eduardo da Silva. As defesas ainda não se manifestaram.
As suspeitas surgiram a partir da análise de materiais apreendidos em 2023 durante a Operação Recidere, que investigava doleiros responsáveis por enviar recursos ilegalmente ao exterior por meio de empresas fictícias. Conversas extraídas desse material indicaram tentativas de interferência em apurações conduzidas pela própria Polícia Civil, inclusive com negociações para ocultar provas.
Um dos episódios relatados envolve a substituição de um disco rígido apreendido em diligências por outro sem conteúdo, encontro que teria ocorrido dentro de um prédio policial. Em outro caso, valores em dinheiro teriam sido entregues a agentes no hangar da corporação no aeroporto do Campo de Marte.
Para ocultar pagamentos ilícitos, o grupo teria adotado um mecanismo incomum: transformar dinheiro em créditos de vale-alimentação registrados em estabelecimentos fictícios. A Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria foi acionada e que novas fiscalizações internas devem ser realizadas para apurar responsabilidades.
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