Entre julho de 2023 e o fim de 2024, as ações policiais Escudo e Verão resultaram em 84 mortes na Baixada Santista. Levantamento do Instituto Vladimir Herzog, divulgado na segunda-feira (27) pela CNN Brasil, mostra que homens negros, jovens e de baixa renda correspondiam a 82% das vítimas.
O estudo aponta que as operações teriam sido conduzidas como retaliação direcionada após o assassinato de policiais e classifica a ofensiva como um dos episódios de maior letalidade registrados recentemente no estado de São Paulo. Para elaborar o documento, o instituto analisou dados oficiais, investigações, imagens de câmeras corporais e relatos de testemunhas e familiares.
Os depoimentos reunidos descrevem invasões de residências sem autorização judicial, torturas e outras violações de direitos humanos. Entre os casos mencionados estão os de Leonel Andrade Santos, morto diante do filho; Hildebrando Simão Neto, que tinha deficiência visual; Cleiton Barbosa Moura e Fábio Oliveira Ferreira.
A morte de Patrick Bastos Reis, integrante da Rota, no Guarujá, motivou o início da Operação Escudo. Posteriormente, os assassinatos dos policiais Marcelo Augusto da Silva, Samuel Wesley Cosmo e José Silveira dos Santos levaram à deflagração da Operação Verão.
O relatório também questiona a condução das apurações, visto que, em 23 dos casos avaliados, pelo menos 17 foram arquivados pelo Ministério Público de São Paulo sem denúncia contra policiais. Em outro episódio, 36 vídeos não mostrariam a vítima de 33 anos armada ou oferecendo risco, mas nenhum agente foi responsabilizado.
Segundo o instituto, as operações custaram mais de R$ 349 milhões aos cofres públicos, reforçando a recomendação de reabrir inquéritos, retirar o sigilo de protocolos policiais e realizar investigações independentes.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que todas as mortes foram investigadas, informando ainda que as operações prenderam 2.162 pessoas, apreenderam 238 armas e retiraram 3,54 toneladas de drogas das ruas.
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