Liniker revisita clássico de Caetano para produção inédita da Netflix
Liniker gravou “Dom de iludir”, composição de Caetano Veloso lançada originalmente na década de 1970, para a trilha sonora de uma nova série da Netflix que leva o mesmo nome da canção. A faixa foi registrada no estúdio Arsis, em São Paulo, sob produção musical de Fejuca, parceiro da cantora no premiado álbum “Caju”, de 2024.
A interpretação marca a primeira vez que Liniker inclui uma música de Caetano em sua discografia. O encontro entre os dois artistas, porém, começou antes dessa gravação, quando dividiram o palco em 2025 e cantaram juntos “Sozinho”, sucesso escrito por Peninha e incorporado ao repertório do compositor baiano no fim dos anos 1990.
“Dom de iludir” nasceu de uma conversa musical de Caetano com “Pra que mentir?”, samba-canção criado por Noel Rosa e Vadico em 1937. A obra de Noel e Vadico chegou ao público na voz de Silvio Caldas, que lançou sua interpretação em um disco de 78 rotações editado em 1939.
Quatro décadas depois da composição original, Caetano apresentou uma espécie de resposta ao clássico ao escrever “Dom de iludir”. A letra revisita as contradições amorosas e os jogos de aparência presentes em “Pra que mentir?”, mas desloca o olhar para quem se recusa a aceitar cobranças e julgamentos dentro de uma relação.
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A primeira gravação da música foi feita por Maria Creuza para o álbum “Meia noite”, lançado em 1977. Cinco anos mais tarde, Gal Costa deu nova projeção à obra ao incluí-la em “Minha voz”, disco de 1982 que ajudou a consolidar a canção entre as grandes interpretações de seu repertório.
O próprio Caetano também registrou “Dom de iludir”, embora somente em trabalhos ao vivo. A composição aparece nos álbuns “Totalmente demais”, de 1986, e “Noites do Norte ao vivo”, lançado em 2001, mostrando como a faixa permaneceu presente em diferentes momentos de sua trajetória.
Agora, a música ganha uma nova leitura com Liniker, cuja interpretação será associada à produção ainda inédita da Netflix. A escolha aproxima a cantora de uma linhagem formada por nomes como Maria Creuza e Gal Costa, ao mesmo tempo que apresenta a composição a outra geração de ouvintes.
Fejuca comandou a sessão no estúdio Arsis depois de trabalhar com Liniker em “Caju”, projeto responsável por ampliar o alcance popular e a presença da artista na música brasileira. Ainda não foram divulgados a data de lançamento da gravação nem detalhes sobre a estreia da série.
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