Mais de 1 milhão de adolescentes já sofreram violência sexual no Brasil
Um levantamento nacional divulgado nesta quarta-feira (25) acendeu um alerta sobre a realidade de adolescentes brasileiros. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), do IBGE, indicam que 8,8% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmam já terem sido forçados a manter relação sexual. Em termos absolutos, isso representa mais de 1,1 milhão de jovens.
O índice cresceu em relação a 2019, quando era de 6,3%, e o avanço ocorre em paralelo à redução do acesso a informações sobre educação sexual nas escolas. No mesmo período, houve queda superior a 10 pontos percentuais entre os alunos que disseram ter recebido orientações sobre prevenção de gravidez, infecções sexualmente transmissíveis e uso de preservativos.
A pesquisa ouviu mais de 118 mil estudantes de escolas públicas e privadas em 1.282 municípios. A maioria das vítimas relatou ter sofrido a violência ainda muito cedo: 66,2% tinham até 13 anos na ocasião. O problema atinge mais meninas, com taxa de 11,7%, enquanto entre meninos o índice é de 5,8%.
Os dados também mostram desigualdade entre redes de ensino. Na rede pública, 9,3% dos estudantes relataram violência sexual, ante 5,7% na rede privada. Regionalmente, o Norte concentra a maior incidência, com 11,7%.
Outro ponto crítico é o perfil dos agressores. Em grande parte dos casos, a violência parte de pessoas próximas: familiares foram citados com frequência, com índices entre 8,9% (quando se trata de pai, mãe, padrasto e madrasta) e 26,6% (outros familiares), além de parceiros ou ex-parceiros, com 22,6%. Há ainda registros envolvendo autores desconhecidos, com 23,20% das ocorrências.
O levantamento também aponta aumento de outras formas de violência sexual. Situações de toque ou exposição sem consentimento foram relatadas por 18,5% dos estudantes, acima dos 14,7% registrados cinco anos antes.
Embora os jovens estejam iniciando a vida sexual mais tarde, o uso de preservativos apresentou queda de 1,6 ponto, em relação à pesquisa realizada em 2019. Em contrapartida, cresceu o número de adolescentes que recorrem à pílula do dia seguinte e casos de gravidez precoce ainda são significativos, sobretudo entre alunas da rede pública.
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