A Colômbia terá um novo presidente a partir de 7 de agosto. O advogado Abelardo de la Espriella, de 47 anos, que ficou milionário advogando para traficantes, venceu a disputa eleitoral em um dos pleitos mais acirrados da história recente do país e assumirá o comando do governo após superar o senador de esquerda Iván Cepeda por uma margem estreita de votos.
Sem experiência anterior em cargos públicos, De la Espriella ganhou projeção nacional ao transformar sua imagem pessoal em uma plataforma política. Durante a campanha, apostou em eventos de grande impacto visual, forte presença nas redes sociais e discursos voltados ao combate à criminalidade e à redução do tamanho do Estado.
A apuração mostrou um cenário dividido. Com praticamente todas as urnas contabilizadas, a diferença entre os dois candidatos ficou em cerca de 246 mil votos, em um universo superior a 25 milhões de eleitores. O resultado ocorreu em meio a questionamentos sobre o processo eleitoral e evidenciou a polarização política no país.
Entre as principais propostas do presidente eleito estão a redução da estrutura administrativa federal, o endurecimento das políticas de segurança pública e mudanças em mecanismos criados após o acordo de paz firmado com as Farc em 2016. Ele também defende uma aproximação estratégica com os Estados Unidos e Israel na área de defesa.
Conhecido por atuar na defesa de clientes envolvidos em casos de grande repercussão, De la Espriella construiu uma carreira lucrativa na advocacia antes de ingressar na política. Desse modo, desenvolveu negócios ligados à própria marca, comercializando produtos e acessórios associados à sua imagem pública.
A vitória do milionário se desenhou principalmente com os votos de idosos. Entre os eleitores com idade entre 18 e 35 anos, Abelardo perdeu por 67% a 33%. Os eleitores com idade entre 36 e 60 anos, deram a vitória para Cepeda por 54% a 46%. Já nos eleitores com mais de 61 anos, o ultraconservador obteve a maioria esmagadora: 93% a 7%.
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