MPF aponta abate de quase 142 mil bois com irregularidades ambientais na Amazônia
Uma auditoria do Ministério Público Federal (MPF) identificou 141.996 cabeças de gado abatidas ou exportadas em 2023 e 2024 com irregularidades socioambientais na Amazônia Legal. O levantamento analisou compras realizadas por dezenas de frigoríficos nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. O número foi corrigido pelo MPF após a publicação inicial da reportagem, que mencionava 134 mil animais.
As irregularidades encontradas envolvem diferentes situações nas propriedades fornecedoras, incluindo criação de animais em áreas com desmatamento ilegal, ocorrência de trabalho escravo e indícios de “lavagem de gado”, prática em que animais criados em áreas com restrições são transferidos para outras propriedades antes da venda, dificultando a identificação de sua origem.
Segundo a auditoria, foram encontradas irregularidades nos seis estados analisados. O levantamento faz parte do acompanhamento realizado pelo MPF sobre o cumprimento de compromissos assumidos pela indústria frigorífica para evitar a compra de animais provenientes de áreas com problemas ambientais ou trabalhistas.
O caso evidencia uma das principais dificuldades de fiscalização da cadeia da carne na Amazônia: rastrear toda a trajetória do animal, desde a propriedade onde nasceu e foi criado até o frigorífico. A chamada “lavagem de gado” pode dificultar esse controle quando o animal passa por propriedades intermediárias antes do abate.
A dimensão do problema também chama atenção porque a pecuária é uma das atividades econômicas mais associadas à conversão da floresta amazônica. A identificação de animais provenientes de propriedades com irregularidades mostra que, apesar dos mecanismos de controle existentes, ainda há falhas na rastreabilidade e na fiscalização da cadeia produtiva.
Os dados do MPF reforçam a pressão por sistemas capazes de acompanhar a origem do gado de forma mais completa. A rastreabilidade é considerada uma das ferramentas para impedir que produtos associados ao desmatamento ilegal ou a violações trabalhistas cheguem ao mercado brasileiro e às exportações.
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