MPF investiga 13 empresas por colaboração com a ditadura e prevê “terceira onda”
O Ministério Público Federal (MPF) está investigando 13 empresas sob a suspeita de terem sido cúmplices e colaborado com graves violações aos direitos humanos durante a ditadura militar no Brasil. Atualmente, o órgão está negociando acordos com essas companhias, e a partir disso, pretende ampliar esse trabalho com a abertura de novos processos contra mais grupos comerciais que tenham atuado como linha auxiliar do regime de exceção.
- Nestlé ajudou a financiar órgãos e agentes da ditadura, mostra pesquisa
- Genocídio: ditadura assassinou mais de 8 mil indígenas; lideranças cobram investigação e justiça
- Comissão conclui que JK pode ter sido executado pela ditadura
“Nosso objetivo é que tenha uma terceira onda, maior do que essa segunda onda. Que, com os recursos que sejam provenientes de condenações em ações civis públicas ou sejam de novos acordos, possamos seguir aperfeiçoando esse modelo e ampliando esse trabalho, que eu acho que é pioneiro”, explicou à Agência Brasil o procurador federal Marlon Alberto Weichert, que coordena o grupo de trabalho Memória, Verdade e Defesa da Democracia da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.
Segundo ele, as investigações estão em diferentes estágios, mas a expectativa é entrar em acordo com algumas dessas organizações em breve.
O atual processo é visto como um desdobramento do histórico acordo firmado com a Volkswagen em 2020, que resultou no pagamento de R$ 36,3 milhões para indenizar ex-funcionários perseguidos e financiar pesquisas. Com os recursos desse primeiro acordo, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizou um amplo estudo que mapeou a relação do capital privado com a repressão, embasando as ações atuais.
Salas de tortura
As pesquisas apontam que as empresas mantinham divisões internas de vigilância para criar “listas sujas” de trabalhadores ligados a sindicatos, impedindo-os de conseguir novos empregos, permitiam a presença de militares em seus escritórios e, em alguns casos, abrigavam salas de tortura ou participavam de ataques contra populações indígenas e quilombolas.
Como as pessoas físicas envolvidas nos crimes do regime militar continuam protegidas pela Lei de Anistia de 1979, revalidada pelo STF em 2010, a responsabilização de pessoas jurídicas (empresas) tornou-se um caminho alternativo inédito e pioneiro no cenário internacional para buscar memória, verdade e justiça no Brasil.
Continue lendo
Estratégia de Janones cruza fronteiras e inspira a esquerda em três países
Grupos de esquerda na Argentina, França e Espanha ampliaram sua presença digital na última semana ao adotar iniciativas inspiradas no Exército do Lula, mobilização articulada pelo...
São Paulo terá maratona gratuita de cinema italiano
O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo receberá 21 filmes entre 5 e 30 de novembro de 2026, na programação gratuita do Festival de Cinema...
Lula prepara mudanças nas estatais, e comando do BB deve cair
O governo Lula discute a substituição de dirigentes de estatais enquanto organiza a composição dos ministérios para o próximo mandato, segundo integrantes do Executivo. Banco do...
Lula mira centrão e prepara nova base para enfrentar a direita
Lula pretende dividir com os presidentes da Câmara e do Senado a articulação da base parlamentar para seu próximo mandato, condicionando ministérios ao apoio nas votações....
Pé-de-Meia chega a 5,6 milhões de alunos; abandono escolar registra queda de 61%
O abandono do ensino médio público no Brasil recuou 61% entre 2022 e 2025, conforme números divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). O período inclui a...
Você viu todas as matérias.
Não foi possível carregar. Toque para tentar de novo.





