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Mulheres Yanomami rejeitam Flávio e apoiam Lula para evitar nova tragédia

Mulheres Yanomami declararam apoio à reeleição de Lula e rejeitaram a candidatura de Flávio Bolsonaro em um manifesto voltado ao segundo turno, elaborado no fim de setembro na comunidade de Rokoari. Em carta e vídeo, as lideranças relacionam sua posição ao temor de que uma vitória do candidato do PL permita o retorno da crise sanitária e do avanço do garimpo ilegal em suas terras.

O documento reúne assinaturas de 60 participantes do 17º Encontro de Mulheres Yanomami, com representantes de 30 comunidades de nove regiões do território. As indígenas lembram as perdas durante o governo de Jair Bolsonaro e cobram proteção para que seus filhos não enfrentem novamente doenças e fome.

Dados do Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena divulgados pela Repórter Brasil registram 420 mortes de crianças menores de cinco anos por causas evitáveis entre 2019 e 2022. O total corresponde a quase duas vezes o registrado nos quatro anos anteriores, com 47 vítimas de malária e 115 crianças desnutridas entre os óbitos.

A invasão garimpeira comprometeu o atendimento médico, segundo relatório do Ministério Público Federal. Pelo menos seis postos foram destruídos ou fechados, deixando mais de quatro mil indígenas de 72 comunidades sem assistência.

A falta de medicamentos agravou o quadro nas aldeias, enquanto a violência dificultava o transporte aéreo de insumos. O MPF apontou suspeitas de irregularidades na compra de remédios e estimou que mais de dez mil crianças ficaram sem tratamento contra verminoses.

Em janeiro de 2023, o governo Lula declarou emergência diante do colapso da saúde Yanomami. No mês seguinte, a Funai estimou em cerca de 20 mil o número de garimpeiros invasores do território. Entre 2020 e 2022, mais de 1,5 mil pontos de mineração ilegal funcionaram na área, com devastação de 2,2 mil hectares. Para as signatárias, impedir outra tragédia orienta a escolha nas urnas.

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