Na data que seria o julgamento, mãe questiona atuação de Flávio Bolsonaro em defesa de PM acusado de matar Ana Clara; assista
A mãe de Ana Clara, menina de 5 anos morta a tiros em Niterói (RJ), questionou a atuação do candidato Flávio Bolsonaro (PL) na defesa do policial acusado de assassinar sua filha. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (21), data em que estava previsto o julgamento do caso, Cristiane Gomes criticou o uso da influência política do parlamentar para tentar anular o júri popular.
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“A questão é ele ser um senador e usar esse poder, essa força que ele tem dentro da política, para anular um júri. Anular um júri de um cara que matou uma criança de 5 anos”, afirmou Cristiane.
Ela fez questão de diferenciar a atuação de Flávio Bolsonaro como advogado do uso de seu cargo político. “A questão não é defender, porque defesa todo mundo tem direito à defesa. Não é questão da advocacia, não é questão do direito dele de advogar. A questão é ele ser um senador e usar esse poder”, disse.
No depoimento, Cristiane também contestou a postura do senador em relação à defesa da família, tema frequentemente mobilizado por Flávio Bolsonaro em seus discursos. “Eu acho meio contraditório porque ele se diz tanto pela família, né? Ele fala tanto da família, que preza pela família, pelos filhos, pelas mulheres. Assim, eu sou uma mulher, minha filha era uma menina. Eu sou uma mãe, era minha filha”.
Entenda o caso
Cristiane relembrou o dia em que a filha foi baleada. Ela havia acabado de acordar e abriu a porta de casa, enquanto Ana Clara e o irmão estavam na entrada. Ao se virar para estender roupas, ouviu um disparo. Quando olhou novamente, a menina estava caída no chão, ferida.
“Eu fui até ele pra ver o porquê que ele tava me olhando assustado, minha filha não tava dentro de casa e ela tava no chão baleada”, contou. Ana Clara foi atingida por dois disparos de fuzil, um no peito e outro na barriga.
O policial foi preso em flagrante, mas deixou a prisão oito meses depois. O julgamento previsto para esta quarta-feira não ocorreu após a atuação da defesa para questionar a realização do júri popular. “Eu tô pedindo pra que ele seja julgado, de poder ter a sensação de que a vida da minha filha não foi só mais uma. E hoje eu não tenho resposta, e eu não entendo o porquê”, concluiu.
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