Flávio Bolsonaro foi advogado de PM acusado de matar criança de 5 anos no RJ com tiro de fuzil
Na manhã do dia 2 de fevereiro de 2021, uma terça-feira, Ana Clara Machado, de cinco anos, brincava com o irmão mais novo, de dois anos, na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, bairro de Pendotiba, em Niterói, na região metropolitana do RJ, quando foi atingida por um tiro de fuzil disparado pelo policial militar Bruno Dias Delaroli, na época, cabo do 12º BPM da cidade. No momento em que recebeu o tiro, ela carregava sua boneca preferida, uma “Mônica Baby”.
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A mãe, Cristiane Gomes Silva, teve que insistir para que os PMs socorressem a filha, mas a criança não resistiu aos ferimentos e morreu ainda na viatura, a caminho do hospital.
O PM foi preso preventivamente, mas depois solto. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decidiu que o caso deveria ir a júri popular por se tratar de homicídio doloso.
Em 2024, a defesa do policial recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo para reverter essa decisão e evitar o júri. O senador e hoje pré-candidato da extrema-direita à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) integrou a banca de advogados e assinou pessoalmente o recurso.
O STJ negou o pedido. Até hoje o caso ainda aguarda julgamento.
Na época, a Polícia Militar alegou que os policiais estavam em patrulhamento de rotina quando teriam sido recebidos com tiros por supostos traficantes da região. A mãe de Ana e moradores desmentiram a alegação, afirmando que os disparos foram feitos de forma indiscriminada em área residencial, e que não houve confronto que justificasse os tiros em direção às casas.
Blindagem
Esses fatos foram relembrados, na quarta-feira (15), em postagem no X (antigo Twitter), pela vereadora de São Paulo, Luna Zaratini (PT), que usou o episódio para questionar o discurso sobre segurança pública de Flávio Bolsonaro e seu grupo político.
“Flávio Bolsonaro atua pessoalmente como advogado para defender acusados de crimes brutais, como o assassinato de uma criança de 5 anos, provando que seu projeto não é segurança, mas a blindagem de milícias e da violência ilegal”, apontou ela.
“Documentos mostram que Flávio Bolsonaro assinou recursos no STJ para tentar livrar o policial Bruno Dias Delaroli do júri popular. Isso não é defesa da polícia. Isso é blindagem da violência ilegal. Defender a polícia de verdade é exigir que ela cumpra a lei. Qualquer coisa fora disso é apenas o elogio ao crime organizado e ao autoritarismo”, criticou a vereadora.
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