O retrato da violência no Brasil continua atingindo de forma desproporcional a população negra. O Atlas da Violência 2026, divulgado na terça-feira (26), revela que 32.820 pessoas negras foram vítimas de homicídio em 2024, número que corresponde a 77% de todos os assassinatos registrados no país no período.
O estudo, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que a taxa de mortes violentas entre negros chegou a 27,3 casos por 100 mil habitantes. Entre os não negros, o índice foi de 10,1. Com isso, o risco de um negro ser assassinado no Brasil permaneceu muito superior ao registrado entre brancos, amarelos e indígenas.
Os dados apontam maior concentração da violência em estados do Norte e Nordeste. O Amapá apareceu na liderança nacional, com 56,8 homicídios por 100 mil habitantes negros. Alagoas, Pernambuco e Bahia também registraram índices elevados e ficaram entre os estados mais violentos para essa parcela da população.
Em alguns locais, a distância entre os números de negros e não negros chamou atenção. Em Alagoas, por exemplo, a taxa entre negros foi mais de vinte vezes maior do que a observada entre não negros. Na Bahia e em Pernambuco, o cenário também apresentou forte diferença racial nos registros de assassinatos.
Apesar da redução gradual dos homicídios ao longo dos últimos anos, o levantamento indica que a desigualdade racial segue praticamente inalterada. Desde 2014, mais de 435 mil pessoas negras perderam a vida em crimes violentos no Brasil, enquanto entre não negros o total ficou muito abaixo desse patamar.
O Atlas ainda relaciona a permanência desses números a fatores históricos e sociais, como desigualdade econômica, exclusão social e maior vulnerabilidade da população negra à violência armada e à letalidade policial. O estudo sustenta que o problema permanece estrutural e atravessa diferentes regiões do país, mesmo nos estados com menores índices gerais de homicídio.
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