Trabalho infantil e abandono escolar crescem entre jovens vulneráveis
O Brasil ainda convive com um cenário de forte desigualdade entre jovens de grupos socialmente vulneráveis. Um estudo divulgado na terça-feira (26), intitulado Juventudes Brasileiras Minorizadas, revelou que milhões de brasileiros entre 15 e 29 anos enfrentam obstáculos para concluir os estudos, acessar empregos formais e escapar de situações de violência, discriminação e pobreza.
O levantamento reúne análises de especialistas e relatos de jovens impactados por diferentes formas de exclusão social. Produzida pela Fundação Roberto Marinho, Fundação Itaú, Iede e Unicef, a publicação analisa a realidade de 13 perfis de juventudes vulnerabilizadas, incluindo negros, indígenas, quilombolas, moradores de áreas rurais, pessoas LGBTQIAPN+, jovens mães, refugiados e adolescentes submetidos ao trabalho infantil.
O estudo aponta que fatores ligados à raça, renda, gênero e território seguem limitando o acesso a direitos básicos e oportunidades no país.
Dados da PNAD Contínua 2025 mostram que o Brasil possui mais de 46 milhões de jovens nessa faixa etária, mas cerca de 7,9 milhões estão fora da escola sem concluir a educação básica. Entre eles, a maioria é formada por jovens negros.
O levantamento também identifica quase 12 milhões de jovens vivendo na pobreza, cenário agravado pela dificuldade de acesso à internet, necessidade de trabalhar cedo e deslocamentos longos até instituições de ensino.
Nas regiões rurais, os indicadores são ainda mais críticos. Um terço dos jovens dessas áreas abandonou a escola antes de concluir os estudos básicos. Já entre indígenas, a taxa de analfabetismo aparece em nível muito superior ao da população não indígena.
A pesquisa também destaca os impactos da violência urbana e do cyberbullying sobre a permanência escolar, especialmente entre jovens negros e LGBTQIAPN+. Segundo os organizadores, o objetivo é ampliar a visibilidade dessas juventudes e contribuir para políticas públicas voltadas à permanência escolar, proteção social e inclusão no mercado de trabalho.
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