Os projetos de mineração de terras raras previstos para o Planalto Vulcânico de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, passaram a integrar a categoria de maior risco ambiental do sistema de licenciamento mineiro.
As iniciativas Colossus, conduzida pela empresa australiana Viridis Mining and Minerals, e Caldeira, da Meteoric Resources, foram enquadradas como Classe 6, classificação reservada a empreendimentos considerados de grande porte e com elevado potencial de degradação ambiental.
O enquadramento exige uma série de etapas mais rigorosas para obtenção das licenças, incluindo Estudos de Impacto Ambiental, relatórios técnicos detalhados, audiências públicas e análise do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).
O governo mineiro considera critérios como volume de extração, quantidade de rejeitos produzidos, utilização de produtos químicos e possíveis impactos sobre recursos hídricos e comunidades próximas.
Os projetos avançam sobre uma região considerada estratégica por concentrar uma das maiores reservas de terras raras do mundo. Esses minerais são usados em setores ligados à tecnologia e à transição energética, como fabricação de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos eletrônicos de alta complexidade.
Apesar do interesse econômico e geopolítico envolvendo a exploração mineral, o avanço das licenças provocou reação de moradores, pesquisadores e movimentos ambientais. Entre os principais temores estão riscos de contaminação de nascentes e aquíferos, além de impactos em áreas rurais localizadas próximas a antigos passivos ambientais deixados pela mineração de urânio no planalto.
Os documentos apresentados pelas mineradoras indicam a intenção de movimentar milhões de toneladas de argila por ano utilizando lixiviação ácida, técnica usada para separar os minerais. O método é alvo de preocupação devido ao uso intensivo de reagentes químicos e ao potencial de contaminação do solo e da água.
O Ministério Público Federal chegou a recomendar a suspensão da análise das licenças até o aprofundamento dos estudos ambientais. Mesmo assim, o Copam autorizou as licenças prévias, permitindo o avanço das próximas etapas do processo.
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