Três décadas após o massacre de Eldorado do Carajás, a violência no campo brasileiro segue fazendo vítimas de forma contínua e preocupante. Levantamentos da Comissão Pastoral da Terra apontam que, entre 1996 e 2025, ao menos 1.149 pessoas foram assassinadas em conflitos agrários no país, o que representa uma média de uma morte a cada dez dias ao longo desse período.
Os dados mais recentes, revelados em reportagem da Folha de S. Paulo, reforçam a persistência do problema. Em 2024, o Brasil registrou 2.185 ocorrências de conflitos no campo, um dos maiores números já contabilizados desde o início da série histórica. O cenário indica não apenas a continuidade das disputas por terra, mas também sua intensificação em diversas regiões, especialmente na Amazônia Legal.
Além do volume de casos, o perfil das vítimas também mudou. Se nos anos 1990 a maioria dos mortos era formada por trabalhadores sem-terra e posseiros, atualmente cresce o número de assassinatos envolvendo indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Em 2024, os povos indígenas lideraram as estatísticas de mortes relacionadas a conflitos fundiários.
A região sudeste do Pará, onde ocorreu o massacre de 1996, continua entre os principais focos de tensão. O território concentra centenas de áreas em disputa e milhares de famílias envolvidas em ocupações, evidenciando a permanência de conflitos não solucionados.
A impunidade também aparece como fator recorrente. Episódios mais recentes, como os registrados em 2017 em Pau D’Arco (PA) e Colniza (MT), ainda não tiveram desfechos completos na Justiça, o que contribui para a repetição da violência.
Nesse contexto, o massacre de Eldorado do Carajás permanece como símbolo de um problema estrutural que atravessa décadas.
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