Após 61 anos, Justiça Militar arquiva processo contra chineses presos e torturados na ditadura
A Justiça Militar determinou o arquivamento do processo contra nove cidadãos chineses presos há 61 anos durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), encerrando uma das mais longas e emblemáticas perseguições políticas do período. Os estrangeiros foram detidos em 1964 sob acusações infundadas de espionagem e subversão, torturados e posteriormente expulsos do país sem qualquer comprovação de crimes.
O caso, encerrado por prescrição, evidencia os abusos sistemáticos de direitos humanos cometidos pelo regime militar contra estrangeiros sob a paranoia anticomunista que marcou os primeiros anos da ditadura. As falsas acusações e o tratamento dado aos chineses impactaram negativamente as relações diplomáticas entre Brasil e China por aproximadamente uma década.
A prisão dos nove chineses ocorreu no clima de histeria anticomunista que se seguiu ao golpe militar. Submetidos a sessões de tortura, os civis foram forçados a confessar crimes que não cometeram, em um processo que ignorou todas as garantias legais e evidenciou o caráter arbitrário da repressão política.
A expulsão sumária do grupo e as acusações sem fundamento dificultaram o relacionamento bilateral entre Brasil e China durante dez anos, refletindo como as violações de direitos humanos durante a ditadura tinham impactos concretos na política externa brasileira.
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