A investigação da Polícia Federal sobre o grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro aponta a existência de uma rede usada para intimidar adversários e ex-funcionários com apoio de pessoas associadas ao jogo do bicho e à milícia no Rio de Janeiro.
Os detalhes aparecem na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que determinou na quinta-feira (14) a prisão de Henrique Vorcaro, pai do empresário, além de outros investigados ligados ao grupo conhecido como “A Turma”.
Segundo a PF, a estrutura atuava como um braço operacional voltado à pressão de alvos considerados inconvenientes aos interesses do núcleo investigado. O relatório enviado ao STF afirma que integrantes da organização monitoravam pessoas, levantavam informações e realizavam abordagens presenciais para provocar medo e reforçar ameaças.
A apuração cita Manoel Mendes Rodrigues como um dos principais articuladores da operação no Rio. De acordo com os investigadores, ele mantinha ligação com o jogo do bicho e exercia papel de comando dentro do grupo responsável pelas ações de intimidação. Rodrigues foi preso durante a ofensiva realizada nesta quinta-feira.
O documento da Polícia Federal afirma que o núcleo chefiado por Manoel era composto por contraventores, policiais e milicianos que atuariam em favor dos interesses da família Vorcaro. A corporação sustenta que a presença de pessoas conhecidas no cenário criminoso local servia para aumentar o impacto das ameaças e demonstrar capacidade de coerção.
Na decisão, André Mendonça também menciona indícios de utilização de força privada para proteger interesses do grupo investigado. A PF afirma que Manoel seria encarregado de disponibilizar pessoas para ações presenciais no Rio de Janeiro, funcionando como peça central da estrutura apontada pela investigação.
A defesa dos investigados não havia se manifestado até a última atualização do caso.
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