A investigação sobre a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, revelou que, enquanto o menino enfrentava uma piora crítica após receber uma dose inadequada de adrenalina na veia, a médica responsável pelo atendimento utilizava o celular para negociar a venda de maquiagem. O caso, ocorrido em novembro de 2025, teve novos detalhes divulgados no domingo (3), após a conclusão do inquérito policial.
De acordo com a apuração, mensagens obtidas pelos investigadores mostram que a profissional mantinha conversas com clientes durante o atendimento, tratando de preços, formas de pagamento e descontos em produtos de beleza, ao mesmo tempo em que acompanhava a evolução do quadro clínico da criança na sala de emergência.
Benício havia sido levado ao hospital com sintomas respiratórios, como tosse seca, e suspeita de laringite. A conduta médica incluiu a prescrição de adrenalina, com indicação de aplicação intravenosa e em doses elevadas. A orientação foi seguida pela equipe de enfermagem, mesmo após questionamentos da mãe do menino, que estranhou o procedimento por nunca ter visto o filho receber o medicamento dessa forma.
Durante o agravamento do quadro, a própria médica reconheceu o erro na prescrição em mensagens enviadas ao plantão, relatando a piora súbita do paciente e pedindo apoio urgente da unidade de terapia intensiva. A criança foi encaminhada para a sala de emergência, mas não resistiu e morreu na madrugada de 23 de novembro.
Com base nas conclusões da investigação, a médica foi indiciada por homicídio com dolo eventual, quando há assunção do risco de provocar a morte. Ela também poderá responder por outros crimes relacionados ao caso. Além dela, a técnica de enfermagem que aplicou a medicação e dois diretores do hospital foram responsabilizados.
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