O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, deve deixar o comando da corporação para disputar as eleições deste ano. Filiado ao Partido Liberal (PL) e pré-candidato a deputado estadual, ele se afasta do cargo após pouco mais de três anos à frente da instituição.
Ulisses assumiu a chefia da Polícia Civil em janeiro de 2023, embora integre os quadros da corporação desde 2007. Natural de Turvo, no Sul do Estado, construiu a carreira atuando em diferentes unidades policiais ao longo dos anos.
O nome do delegado ganhou projeção nacional em meio à repercussão do caso do cão comunitário conhecido como Orelha, espancado por adolescentes e morto dias depois em uma clínica veterinária. A investigação mobilizou a Polícia Civil e teve grande apelo popular, sobretudo nas redes sociais.
No entanto, a condução do caso também trouxe questionamentos. O Ministério Público de Santa Catarina instaurou procedimento preliminar para analisar a atuação do delegado durante as apurações. A iniciativa partiu da 40ª Promotoria de Justiça, responsável pelo controle externo da atividade policial.
O objetivo é verificar se há indícios suficientes para a abertura de inquérito civil. Entre os pontos sob análise estão eventual abuso de autoridade, quebra de sigilo funcional e possível improbidade administrativa.
Segundo o MP, representações encaminhadas ao órgão levantaram dúvidas sobre a divulgação de informações que deveriam permanecer restritas, o que, em tese, poderia comprometer a investigação ou gerar favorecimentos indevidos.
A apuração sobre a morte do animal foi concluída no início de fevereiro. Um adolescente teve a internação solicitada, enquanto quatro menores foram formalmente responsabilizados. Três adultos acabaram indiciados por suspeita de tentar interferir em depoimentos.
Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas, e mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança foram analisadas. Como envolve menores de idade, o processo tramita sob segredo de Justiça.
Bookmark