Caso Orelha: conduta do delegado-geral vira alvo do MP
O Ministério Público de Santa Catarina passou a analisar a atuação do delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, em meio às investigações que apuram a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida no início de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis.
A apuração ocorre por meio de um procedimento preparatório instaurado pela 40ª Promotoria de Justiça, setor responsável por fiscalizar externamente a atividade policial no Estado.
A iniciativa foi motivada pelo recebimento de representações que questionam a conduta do dirigente da Polícia Civil durante o andamento do caso.
O objetivo do Ministério Público é verificar se há indícios que justifiquem a abertura de um inquérito civil, especialmente para apurar possíveis irregularidades administrativas ou funcionais relacionadas ao acesso e à divulgação de informações sensíveis da investigação.
Paralelamente, o MP identificou fragilidades na apuração conduzida até o momento sobre episódios ligados ao caso Orelha.
Após a conclusão do inquérito que resultou no pedido de responsabilização de um adolescente por maus-tratos contra o animal, o órgão determinou novas diligências sobre uma discussão ocorrida na portaria de um condomínio da região. Esse episódio envolve três adultos indiciados por coação no curso do processo e ameaça, fatos que teriam ocorrido durante o andamento da investigação.
Segundo o Ministério Público, o material reunido até agora não permite uma reconstrução precisa dos acontecimentos. Por essa razão, foi fixado um prazo de 20 dias para que a Polícia Civil complemente o inquérito.
Entre as medidas solicitadas estão novos depoimentos presenciais de um porteiro e de um vigilante, além da inclusão de imagens de câmeras de segurança que registraram conversas entre os envolvidos. A expectativa é que os depoentes possam identificar suspeitos nos vídeos e detalhar com mais clareza o que presenciaram.
Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro e morreu no dia seguinte, após ser socorrido por moradores e encaminhado a atendimento veterinário. Exames periciais apontaram que o cão sofreu um impacto violento na cabeça, compatível com agressão por chute ou objeto rígido.
A investigação mobilizou dezenas de testemunhas, análise de extensas gravações e envolveu adolescentes suspeitos ao longo do processo.
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