Dois meses antes de ser flagrado pedindo dinheiro para o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o filme de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse que a proposta de abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo envolvendo a instituição.
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Na ocasião, a abertura da CPMI havia sido proposta pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) no dia 9 de março de 2026. Sob pressão, Flávio chegou a assinar o pedido alegando não ter nenhuma relação com o caso, mas dois dias depois, criticou duramente a iniciativa em entrevista ao SBT News.
“E essa CPI eu assinei, mas com toda a franqueza, o autor dela, o senador Alessandro Viira, é um grande hipócrita. Ele faz esse tipo de pedido de CPI sabendo que ela não vai ser instaurada porque ela é ilegal. Você não pode instaurar uma CPI para investigar crimes comuns de pessoas. Então ele faz para tirar uma onda.
Os acontecimentos posteriores mostram porque Flávio não queria a CPI. No último dia 18, o Intercept Brasil revelou áudios e mensagens em que o senador negocia diretamente com o ex-dono do Master um repasse de US$ 24 milhões, ou R$ 134 milhões, para “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. O próprio Flávio admitiu que pelo menos US$ 10,6 milhões, ou R$ 61 milhões foram efetivamente repassados. Além disso, em novembro, quando Vorcaro já estava preso pela fraude, o senador foi visitá-lo pessoalmente em SP.
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