O julgamento pela morte do menino Henry Borel, que deveria ter começado nesta segunda-feira (23) no Rio de Janeiro, não avançou. Logo na abertura da sessão, os advogados do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, deixaram o plenário, o que obrigou a interrupção imediata do júri.
Pelas regras do processo penal, a ausência da defesa inviabiliza a continuidade do julgamento. Com isso, a sessão foi suspensa e deve ser redesignada para junho, em data ainda a ser confirmada. A tendência é que, na nova tentativa, o réu seja assistido por defensores públicos, caso sua equipe original não retorne.
A juíza responsável pelo caso, Elizabeth Machado Louro, classificou a atitude como inadequada e entendeu que houve intenção de provocar o adiamento. Como consequência, determinou que os advogados arquem com os custos gerados pela mobilização do aparato judicial, que inclui jurados, servidores e esquema de segurança.
O episódio também teve efeito direto sobre a situação de Monique Medeiros, mãe de Henry e também ré no processo. Diante da paralisação do julgamento, a magistrada avaliou que a manutenção da prisão se tornava excessiva e determinou sua libertação. O Ministério Público já indicou que vai contestar essa decisão.
Antes da saída do plenário, a defesa de Jairinho havia tentado adiar o julgamento alegando dificuldades no acesso a conteúdos digitais ligados ao pai da criança. A argumentação foi rejeitada pela juíza, que considerou que o material estava disponível dentro dos prazos legais. Um pedido para separar os julgamentos dos dois réus também foi negado.
Henry morreu em março de 2021, aos quatro anos, em circunstâncias que levaram à denúncia por agressões dentro do ambiente doméstico. Jairinho responde por homicídio qualificado, enquanto Monique é acusada de não ter impedido a violência. O caso segue sem desfecho e deve voltar ao tribunal nos próximos meses.
Bookmark