As investigações contra o treinador de jiu-jítsu e policial civil Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, o Melqui Galvão, ganharam novos desdobramentos após mais duas ex-alunas relatarem estupros e agressões físicas ocorridos em Manaus.
O suspeito, que já se encontra preso preventivamente na capital paulista, é alvo de inquéritos conduzidos pelas polícias civis de São Paulo e do Amazonas. Com os novos relatos, o número de vítimas que registraram boletins de ocorrência subiu para nove.
As recentes denúncias detalham um padrão de comportamento em que o treinador utilizava sua posição de autoridade e o sonho de crescimento esportivo das atletas para cometer os crimes.
Uma das jovens relatou ter sofrido abusos recorrentes a partir dos 16 anos, em momentos em que dependia de ajuda financeira para disputar campeonatos. Outra atleta apontou que as opressões psicológicas e físicas se estenderam por mais de uma década e confirmou que sua irmã também foi abusada.
Segundo a Delegacia de Defesa da Mulher, o investigado aproveitava a vulnerabilidade financeira de alunas menores de idade, oferecendo materiais de treino e recursos para depois cobrar favores sexuais. Os crimes começaram a vir à tona após a queixa de uma adolescente de 17 anos em Jundiaí, no interior de São Paulo.
O caso provocou forte repercussão no cenário das artes marciais. O filho do treinador, o atleta Mica Galvão, manifestou repúdio a qualquer tipo de violência e defendeu a apuração rigorosa dos fatos. Além de Melqui, seu irmão, Enoque Galvão, que também é policial, foi preso temporariamente suspeito de cometer abusos contra frequentadoras do projeto social.
As autoridades continuam colhendo depoimentos para mapear a extensão dos crimes e a defesa dos envolvidos não foi localizada para comentar as acusações.
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