Parte da iniciativa “Na Favela Turismo” criado por um morador da Rocinha, o projeto “Na Favela Drone” está transformando a percepção das comunidades cariocas ao utilizar imagens aéreas para atrair visitantes brasileiros e estrangeiros. Ao mostrar a complexidade de locais como a Rocinha, o Vidigal e o Pavão-Pavãozinho/Cantagalo sob novos ângulos, os vídeos viralizam nas redes sociais e despertam interesse por uma experiência que vai além dos pontos turísticos tradicionais do Rio de Janeiro (RJ).
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O diferencial dessa iniciativa é o foco na capacitação e no protagonismo dos moradores, utilizando a tecnologia como porta de entrada para a emancipação social. O projeto oferece cursos de pilotagem de drones e edição de vídeo para jovens das comunidades, exigindo bom desempenho escolar e preparando-os para o mercado de trabalho tecnológico. A qualificação permite que o morador controle a narrativa sobre o seu próprio território, valorizando a cultural local, combatendo estigmas e apresentando a favela como um polo de inovação e beleza.
“Não adianta só falar que está na escola. A galera aqui da comunidade já fica empregada e, inclusive, ganha bem”, disse um dos primeiros pilotos formados e hoje coordenador do projeto, Rogério Nascimento Feitosa, à Agência Brasil.
Além da tecnologia, o drone funciona como um chamariz para uma cadeia econômica muito mais ampla. A presença do turista, atraído inicialmente pelas imagens aéreas, gera oportunidades diretas para guias de turismo locais, mototaxistas e donos de mirantes e lajes. Isso cria um ambiente fértil para que os residentes se profissionalizem não apenas na operação de equipamentos, mas na gestão de atrações culturais e gastronômicas.
O objetivo final é integrar a comunidade, fazendo com que o turismo gere renda distribuída, garantindo que o desenvolvimento econômico seja gerido por quem realmente vive e conhece o dia a dia da favela.
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