Skip to content Skip to footer

Operação Rejeito: PF desmonta esquema de corrupção na mineração em Minas Gerais

Caio Mário Seabra, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM). (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (17) a Operação Rejeito, que mira um complexo esquema de corrupção envolvendo servidores públicos, empresários e mineradoras em Minas Gerais. Ao todo, foram expedidos 22 mandados de prisão e determinado o bloqueio de R$ 1,5 bilhão em bens e contas dos investigados.

Entre os alvos está Caio Mário Seabra, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), apontado como um dos principais articuladores dentro do órgão. Também foram afastados servidores de órgãos ambientais estaduais como FEAM, IEF e Copam, acusados de favorecer ilegalmente empresas do setor.

Como funcionava o esquema?

Segundo a investigação, o grupo facilitava a emissão de licenças ambientais fraudulentas para liberar a exploração de minério em áreas de preservação e até tombadas como patrimônio cultural. Em um dos casos, uma mineradora obteve autorização em tempo recorde, no Natal, desconsiderando pareceres técnicos contrários e alertas da Advocacia-Geral da União.

Outro episódio envolve a apropriação indevida de uma pilha de rejeitos da Vale, avaliada em R$ 200 milhões, pela Aiga Mineração S.A. Documentos foram manipulados e pareceres ignorados para transferir a posse do material, com suspeita de pagamento de propina de R$ 2,7 milhões diretamente a dirigentes da ANM.

Estrutura financeira

Para dar aparência de legalidade às operações, a organização criou ao menos 42 empresas de fachada, usadas para movimentar recursos ilícitos e repassar propinas. O esquema contava com um núcleo financeiro dedicado, responsável por abrir firmas fictícias, falsificar assinaturas e efetuar saques e pagamentos a servidores públicos.

Pressão política e ambiental

Além da corrupção administrativa e financeira, a investigação aponta tentativas de interferência em projetos de lei na Assembleia Legislativa mineira, especialmente os que buscavam criar unidades de conservação na Serra do Curral. Para a PF, tratava-se de manobras da quadrilha para manter seus empreendimentos ativos na região, mesmo em áreas de alto valor ambiental.

Decisão judicial

A 3ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte autorizou prisões preventivas de líderes e servidores, a suspensão das empresas envolvidas, buscas em endereços de investigados, além da quebra de sigilos fiscal e bancário entre 2020 e 2025. O caso também será compartilhado com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal.

Os investigados responderão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, crimes ambientais e contra a ordem econômica.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

14 abr 2026

Foto de Ramagem preso nos EUA vem à tona

Imagem de Ramagem sob custódia aparece em banco de dados do governo americano após prisão na Flórida
14 abr 2026

STF abre inquérito contra ministro do STJ acusado de assédio e importunação sexual

Buzzi também é alvo de uma sindicância no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e na própria Corte
14 abr 2026

Lula assina jornada menor e auxílio-creche para servidores terceirizados: “vocês não são invisíveis”

Novas normas estabelecem que a carga horária semanal foi reduzida de 44 para 40 horas
14 abr 2026

Papa responde “na lata”: “não tenho medo de Trump”

Leão fez questão de afirmar que não se intimidará diante das ameaças de presidente estadunidense
14 abr 2026

Às vésperas de votação, patrões lançam lobby contra fim da escala 6 X 1

Na semana passada, a Confederação Nacional da Indústria e mais 400 entidades lançaram um manifesto contra a mudança

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário