Vorcaro queria criar império da mídia antes da queda do Banco Master
Antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central e das investigações que levaram à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, o empresário teria colocado em prática um plano para montar um conglomerado de mídia com participação em portais, revistas e campanhas digitais de grande alcance.
A informação foi detalhada pelo publicitário Thiago Miranda, que afirmou ter participado das negociações envolvendo veículos de comunicação e ações de gerenciamento de imagem ligadas ao ex-CEO do banco.
Segundo Miranda, Vorcaro buscava ampliar influência no setor por meio de participações em empresas de mídia e investimentos indiretos feitos por aliados próximos. Um dos documentos apresentados pelo publicitário mostra a venda de 17% do Portal Léo Dias, em julho de 2024, por R$ 10 milhões.
O contrato foi firmado com o empresário Flávio Carneiro, apontado por Miranda como representante do banqueiro nas negociações. Carneiro nega que Vorcaro fosse sócio oculto do portal, embora admita que o Banco Master tenha atuado como anunciante da plataforma.
O relato, divulgado na coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, aponta que as primeiras conversas ocorreram em encontros realizados em São Paulo, quando Vorcaro teria revelado o interesse em construir uma rede de veículos sob sua influência.
À época, segundo Miranda, já existiriam conexões com empresas ligadas à revista IstoÉ, ao Brazil Journal e ao portal PlatôBR. Os responsáveis pelos veículos negam qualquer participação societária direta do banqueiro e afirmam que as redações atuavam de forma independente.
Miranda também afirmou que passou a atuar diretamente na estratégia de contenção de crise de Vorcaro após a primeira prisão do empresário, em 2025.
Entre as ações citadas está o chamado “Projeto DV”, iniciativa que previa pagamentos milionários a influenciadores digitais para disseminar conteúdos questionando a atuação do Banco Central na intervenção do Banco Master.
De acordo com os documentos apresentados, contratos foram firmados com perfis de grande alcance nas redes sociais, além de páginas de entretenimento e jornalistas conhecidos. As negociações previam remunerações mensais elevadas e orientações de conteúdo elaboradas previamente pela agência comandada por Miranda.
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