Novas suspeitas envolvendo a produção do filme Dark Horse, obra inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ampliaram a lista de questionamentos sobre o uso de recursos e dados públicos em São Paulo. Reportagem publicada pelo Intercept revelou indícios de que informações de usuários cadastrados na rede municipal de Wi-Fi gratuito teriam sido utilizadas para ações de marketing digital durante o período eleitoral de 2024.
De acordo com a apuração, números de telefone de pessoas que acessaram o serviço público de internet teriam sido coletados e posteriormente compartilhados com uma empresa privada especializada em comunicação digital. A suspeita é de que esses dados tenham servido de base para o envio de mensagens por WhatsApp e campanhas de e-mail direcionadas em meio à disputa que resultou na reeleição do prefeito Ricardo Nunes.
O caso surge em um momento delicado para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à empresária Karina Ferreira da Gama. A entidade já está no centro de uma investigação relacionada a contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de internet gratuita na capital. Os acordos somam mais de R$ 108 milhões.
Segundo a reportagem, a empresa responsável pelas ações de marketing teria recebido cerca de R$ 2,7 milhões. A legislação eleitoral brasileira restringe o disparo em massa de mensagens sem autorização prévia dos destinatários, o que pode ampliar o alcance das apurações caso as suspeitas sejam confirmadas.
Procurado pelos jornalistas, o instituto não apresentou esclarecimentos sobre as acusações. Já a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia informou não ter conhecimento de eventual compartilhamento de dados pessoais para finalidades externas ao funcionamento do serviço de Wi-Fi.
As revelações também coincidem com novas discussões sobre o financiamento do filme Dark Horse. Nesta semana, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, manifestou apoio à abertura de uma investigação para apurar transferências de recursos ao exterior destinadas ao projeto cinematográfico, ampliando a pressão sobre os envolvidos e alimentando novos debates sobre transparência, proteção de dados e influência política.
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