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O que Trump tem a ganhar com uma vitória de Flávio Bolsonaro?

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial brasileira ampliaria a influência de Donald Trump na América Latina e poderia favorecer interesses econômicos ligados à família do presidente americano. Segundo reportagem da Agência Pública, os possíveis ganhos incluem acesso a minerais estratégicos, alinhamento diplomático e aproximação na área de segurança.

O Brasil ocuparia posição importante na chamada Doutrina Donroe, expressão usada para descrever o projeto de Trump de reforçar a hegemonia dos Estados Unidos no continente. Nesse cenário, a chegada de um aliado ao Planalto fortaleceria uma articulação regional que combina afinidade ideológica, negócios e cooperação militar.

Um estudo elaborado por André Marinho apresenta possibilidades de exploração de minerais críticos em uma eventual gestão bolsonarista, com prioridade para cadeias produtivas alinhadas aos americanos. O material propõe transformar o Brasil em fornecedor e centro de processamento desses recursos, reduzindo a participação chinesa e acelerando procedimentos regulatórios.

O autor afirmou que produziu o documento por iniciativa pessoal, como análise hipotética, sem vínculo com qualquer candidatura ou autoridade. Também negou ter encaminhado o estudo à campanha de Flávio ou a representantes americanos, assim como ter discutido seu conteúdo em reuniões nos Estados Unidos.

Os interesses empresariais alcançam uma cadeia produtiva que envolve o Projeto Caldeira, no sul de Minas Gerais, voltado à exploração de terras raras. O fundo 1789 Capital, que tem Donald Trump Júnior entre seus sócios, investiu na Vulcan Elements, empresa que participa dessa rede de negócios.

Na segurança, a afinidade com o bolsonarismo poderia ampliar o espaço de Washington nas políticas regionais de combate ao crime organizado. A avaliação apresentada na reportagem é que esse alinhamento também criaria risco de concessões crescentes de países sul-americanos aos Estados Unidos, com disputas por investimentos e acordos capazes de comprometer o controle sobre recursos naturais e decisões estratégicas, além da própria autonomia diplomática brasileira.

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