
Lula vence e Trump perde: Uma nova perspectiva para o mundo
No campo da geopolítica, a América do Sul e o mundo ganham um novo fôlego com a vitória eleitoral das forças democráticas no Brasil, lideradas pela reeleição do presidente Lula da Silva, combinada à derrota das forças reacionárias articuladas em torno do governo Trump nas eleições de meio de mandato nos EUA. Esse duplo resultado interrompe uma sequência de vitórias da extrema direita e da direita conservadora no continente e no mundo, abrindo perspectivas positivas para a soberania dos Estados e podendo reverter um cenário de forte instabilidade político. O avanço do intervencionismo norte-americano, impulsionado pela ascensão de plataformas reacionárias e elites financeiras, vinha impondo severos impactos ao desenvolvimento da maioria dos países do Sul Global. Essa interferência materializou-se historicamente pelo apoio a embargos econômicos asfixiantes, pelo endosso a rupturas institucionais contra governos soberanos e pela imposição de programas de austeridade do Fundo Monetário Internacional (FMI) que priorizam o pagamento de dívidas externas em detrimento dos investimentos públicos essenciais.
Esse modelo tradicional, baseado na erosão da autonomia nacional e na consolidação de uma economia desindustrializada e primário-exportadora, aprofunda a dependência direta das diretrizes de Washington e amplia o peso de setores rentistas altamente globalizados. A aliança entre o reacionarismo e o neoliberalismo tem como ponto de unidade a retirada sistemática de direitos sociais — com o desmonte da proteção ao trabalho, da previdência, habitação, saúde e educação —, somada a um processo de desdemocratização e avanço do autoritarismo que corrói as instituições por dentro, mobilizando setores populares descontentes através de uma infraestrutura logística milionária e do controle ideológico sobre redes digitais.
O enfrentamento liderado pelo campo democrático no Brasil superou adversidades agudas para garantir esse novo rumo, enfrentando a interferência direta de grupos trumpistas, a atuação de grandes empresas de tecnologia e de comunicação tradicional, e a postura marcada pela parcialidade do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O desfecho brasileiro aponta para o mundo que há alternativa e possibilidades reais de enfrentar e derrotar a onda reacionária. Paralelamente, o avanço de setores progressistas e, inclusive, de socialistas nas urnas americanas consolidou-se de forma expressiva com o fortalecimento de lideranças focadas na expansão de direitos sociais, estabelecendo um freio institucional robusto à agenda extremista de Washington. A ascensão do Partido Democrata e, em seu interior, de correntes de esquerda, durante as eleições de meio de mandato nos EUA, projetam um cenário internacional de perda de força do trumpismo, o que deverá obstruir e até frear várias de suas intervenções. Temas como o multilateralismo e a cooperação tendem a reconquistar espaço na pauta global, gerando melhores condições para a consolidação da soberania latino-americana.
Essa tendência de resistência encontra eco global na liderança de frentes plurais que abrangem desde a esquerda até setores de centro e liberais democratas, visível também na mobilização popular e jovem em Portugal e na França, bem como no crescimento eleitoral do campo democrático na Espanha e na Bulgária contra o extremismo de direita. Nesse contexto renovado, temas estratégicos como integração regional, cooperação econômica e restauração de direitos, vitais para o Sul Global, devem se tornar uma pauta constante e ofensiva. Os desafios regulatórios e econômicos serão imensos para garantir um caminho de crescimento, reindustrialização e inovação tecnológica com sustentabilidade ambiental, tendo como principal adversário o neoimperialismo dos EUA e as políticas monetárias de juros altos do rentismo, tornando central a viabilidade de construir um amplo bloco social e político fundamentado na defesa da democracia.
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