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Ratinho Junior mente e escancara sua veia golpista

Ratinho Junior mente e escancara sua veia golpista

Por Ana Júlia Ribeiro

O governador do Paraná Ratinho Junior deu uma entrevista à CNN nesta semana em que expôs, mais uma vez, duas de suas marcas políticas: a mentira e o alinhamento à extrema-direita golpista.

Entre tantas declarações absurdas, afirmou que, caso eleito, concederia indulto a Bolsonaro e aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, tentando justificar a proposta com a alegação de que a Assembleia Legislativa do Paraná já teria sido “invadida” pelo PT.

Isso é mentira e desonestidade intelectual.

Ele provavelmente se refere aos protestos de junho de 2024, quando seu governo aprovou, a toque de caixa, um projeto para privatizar as escolas públicas do Paraná, atropelando ritos legais e comprimindo o debate democrático. Naquele momento, professoras, professores, servidores e defensores da educação ocuparam legitimamente a Assembleia para defender a escola pública.

Não houve vandalismo, tentativa de golpe ou ataque às instituições. Houve mobilização popular, pacífica e constitucional, um levante em defesa da educação pública, que vem sendo sucateada em seu governo, com professores adoecendo e, tragicamente, morrendo em sala de aula.

A verdadeira afronta à democracia, naquele episódio, partiu do próprio governo Ratinho Junior, que mandou fechar e cercar a Assembleia no dia da votação, impedindo o acesso da população à chamada Casa do Povo. A Casa do Povo foi, literalmente, fechada para o povo.

Comparar manifestações democráticas com os ataques golpistas de 8 de janeiro — que envolveram organização criminosa, planos de ruptura institucional e tentativa de aliciamento das Forças Armadas — é uma distorção grotesca dos fatos e uma demonstração clara de má-fé política.

Ratinho Junior tenta se projetar nacionalmente como pré-candidato à Presidência, mas o que apresenta é o mesmo perfil que já conhecemos no Paraná: irresponsável, privatista, autoritário, avesso ao diálogo e reincidente na mentira.

Além disso, seu governo acumula questionamentos públicos sobre privatizações e relações empresariais sensíveis, como a venda da Copel Telecom, que envolveu recursos ligados ao Banco Master, hoje no centro de um dos maiores escândalos financeiros do país. O mesmo banco que aportou recursos em um resort de alto luxo ligado a negócios ao pai do governador, o apresentador Ratinho.

Somam-se a isso denúncias envolvendo a Sanepar e o uso político de estruturas do Estado, sob suspeita de arrecadação irregular para campanha — fatos que seguem exigindo esclarecimentos públicos.

Diante de tudo isso, Ratinho Junior prefere atacar, distorcer e mentir, como vem fazendo há oito anos no Paraná.

O Brasil não precisa de mais autoritarismo, privatização predatória e política feita à base da mentira. Precisa de democracia, transparência e compromisso com a verdade e com o interesse público.

Por Ana Júlia Ribeiro
Deputada estadual e ativista da educação pública

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