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Sem Novidades: Carnaval bate recorde histórico de arrecadação e, mais uma vez, prova que Cultura é investimento necessário.

Sem Novidades: Carnaval bate recorde histórico de arrecadação e, mais uma vez, prova que Cultura é investimento necessário.

Por Fabrizio Prado

A alegria predominante nos rostos de milhões de brasileiros abraçou essa tradição que, embora não tenha nascido brasileira, aqui encontrou sua maior e melhor expressão. Não existe negociação. Independente da crença, da classe social ou da linha política, a existência do carnaval é certa. No entanto, é claro, seu formato sempre gera uma série de discussões.

Tal imponência do período no calendário nacional ocorre por uma série de fatores históricos, como o da expressão da cultura popular ou de ser um instrumento de luta política e liberdade de corpos oprimidos, mas também, precisa-se dizer, que o fator econômico colaborou na pacificação dos atores sobre a necessidade do evento.

Segundo estima o Ministério do Turismo, neste 2026, o Carnaval movimentou mais de R$ 18 bilhões de reais por via da participação recorde de 65 milhões de pessoas. Esses números representam um aumento de 22% de pessoas em relação ao ano de 2025. Vale frisar que esses números estão relacionados a todo o país, porém, cerca de 50% do total se refere principalmente as capitais.

A capital paulista liderou a concentração de foliões, com 16,5 milhões de pessoas presentes e uma receita estimada em R$ 7 bilhões. Seguindo a lista, temos o Rio de Janeiro, com 8 milhões de presentes e impacto de cerca de R$ 6,0 bilhões, a capital baiana, Salvador, também com 8 milhões de foliões e uma movimentação de R$ 2 bilhões na economia e o polo Recife/Olinda com quase a mesma quantidade de pessoas, aproximadamente 7,6 milhões de foliões, movimentando R$ 3,2 bilhões.

Análise feita pelo Sebrae aponta que essa arrecadação, ainda que naturalmente encontre parte importante represada nas grandes cidades e eventos, movimenta toda a economia nacional de forma significativa, desde o grande até o pequeno empreendedor. Dados da Receita Federal mostram que 12% dos pequenos negócios do Brasil, algo em torno de 3 milhões de empreendimentos, estão relacionados a realização de festas e, dessa forma, encontram no carnaval um de seus pilares de renda anual.

Na mesma linha segue a estimativa feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) no que diz respeito a geração de empregos, quando afirma que cerca de 39,2 mil vagas temporárias são geradas em todo o país. É incentivo ao consumo, geração de empregos, fomento do turismo e mais possibilidades de renda para a população.

Os dados acima não podem passar pelo noticiário como mero agito de início de ano, não se trata de folia. Sem qualquer demérito, é claro, estamos falando de um patrimônio nacional. O ponto aqui é pautar a Cultura como pilar fundamental do orçamento estatal e das agendas de governo e do legislativo, pois não somente configura respeito a nossa história, mas trás retorno financeiro para o país.

Em regra, o que existe de março até dezembro, por considerável parte da grande mídia e de atores políticos, é a demonização de projetos de incentivo à cultura, como a perene polêmica frente a Lei Rouanet. Ora, nesse sentido, recente estudo feito pela FGV, demonstrou que a cada R$ 1,00 investido via Lei Rouanet, temos um retorno de R$ 7,59 para a economia.

A luta pela valorização da Cultura por quem vive por, e para ela, seguirá sempre firme. Da nossa parte, eternos foliões ou meros admiradores do descanso desse feriado, nos resta a fundamental missão de garantir que esse bloco e o de uma série de outras manifestações culturais de nosso povo possa, num contexto de acessibilidade popular, estar sempre na rua.

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