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Otoni de Paula denuncia gestão de Flávio e milícia em hospitais federais na pandemia

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) denunciou o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre exercer influência sobre contratos, contratações e nomeações nos hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo de Jair Bolsonaro. Em entrevista ao podcast 3 Irmãos, em maio de 2026, Otoni afirmou que a milícia controlava o estacionamento de um dos hospitais e que as decisões administrativas da rede passavam pelo filho do então presidente. Segundo o parlamentar, a situação era de conhecimento público nos círculos políticos fluminenses.

“Tudo passava por ele. Contrato passava por ele. Contratações passavam por ele. Os cargos passavam por ele”, declarou Otoni. O deputado afirmou que Flávio atuava como articulador político da estrutura hospitalar, embora não ocupasse formalmente um cargo de gestão no Ministério da Saúde.

A denúncia encontra paralelo em uma investigação publicada pela Agência Pública em outubro de 2026, que reuniu depoimentos de gestores, ex-gestores, servidores públicos e parlamentares, além de documentos oficiais sobre a administração dos hospitais federais entre 2019 e 2022. A reportagem identificou influência política de Flávio nas nomeações e decisões administrativas, além de contratos com indícios de sobrepreço.

No Hospital Cardoso Fontes, uma investigação da Polícia Civil apontou que integrantes de uma milícia ocuparam um terreno da unidade e cobravam estacionamento de funcionários e familiares de pacientes, em um esquema de extorsão.

A situação dos hospitais se agravou durante a pandemia. No Hospital Federal de Bonsucesso, um incêndio em outubro de 2020 matou quatro pacientes internados com Covid-19. A unidade também enfrentou falta de pessoal e restrições no atendimento. Segundo a Agência Pública, um diagnóstico do Ministério da Saúde apontou problemas em contratos administrativos, enquanto auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram casos de preços acima dos valores de referência em compras hospitalares.

As acusações sobre a influência política de Flávio na saúde pública ganharam novo contexto após uma reportagem da revista piauí, publicada em 21 de outubro de 2026, revelar detalhes de uma festa em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, em julho de 2020. Segundo a publicação, o evento reuniu Flávio, os empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, ligados à Precisa Medicamentos, e três garotas de programa levadas de São Paulo.

Os empresários buscavam estreitar relações com integrantes do entorno presidencial enquanto tentavam viabilizar a venda da vacina indiana Covaxin ao governo federal. Ao final do passeio, Trento teria presenteado o senador com um relógio Rolex. A reportagem também relata que, meses depois, Flávio ajudou a intermediar uma reunião entre Maximiano e o então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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