Skip to content Skip to footer

PCC pode ser responsável por controlar mais da metade das empresas de ônibus de São Paulo

O Primeiro Comando da Capital (PCC) é suspeito de manter influência direta ou indireta sobre 12 das 22 empresas responsáveis pelo transporte coletivo na cidade de São Paulo, segundo investigação do Ministério Público estadual divulgada nesta quinta-feira (17). A apuração sustenta que a facção teria colocado representantes e pessoas usadas como “laranjas” na administração das companhias para lavar dinheiro, negociar ônibus e ampliar seus negócios ilícitos.

Os indícios fazem parte da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo para investigar a presença do crime organizado no setor e dentro de órgãos públicos. A ação, terceira etapa de uma investigação mais ampla, determinou o cumprimento de 13 mandados de prisão temporária e 18 ordens de busca e apreensão.

De acordo com a decisão judicial que autorizou a operação, empresários registrados como responsáveis pelas companhias não exerceriam o controle verdadeiro dos negócios. As decisões seriam tomadas por integrantes do PCC classificados nas investigações como chefes do esquema, enquanto intermediários e advogados cuidariam da representação formal e da movimentação dos recursos.

Sete empresas aparecem nominalmente nos documentos: A2 Transportes, Translider, Transbellaflor, Otratur, ABC Plus Transportes, antiga Translog, Transwolff e Viação Bom Jesus. Parte delas mantém operações na capital paulista, enquanto outras atuam em diferentes municípios do estado de São Paulo.

PCC no transporte de SP: ex-presidente da Câmara está entre os principais alvos

O ex-vereador Milton Leite, que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo em diferentes períodos, é apontado como um dos principais investigados e foi alvo de mandado de prisão. Segundo o Ministério Público, ele seria o verdadeiro controlador da Transwolff, apesar de não aparecer formalmente nessa condição, suspeita rejeitada por sua defesa.

Leite exerceu sete mandatos como vereador e deixou o Legislativo paulistano em 2024, mas continuou com influência na política da capital. Atualmente, preside o diretório municipal do União Brasil, integra a direção estadual da Federação União Progressista e mantém proximidade política com o prefeito Ricardo Nunes e o governador Tarcísio de Freitas.

Outro alvo central é o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira, preso durante a operação e investigado por uma possível reunião com um intermediário da facção. O encontro teria ocorrido quando ele comandava a empresa municipal e serviria para tratar de interesses do PCC relacionados às companhias que operam linhas de ônibus.

A investigação também procura esclarecer suspeitas de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e transações financeiras realizadas por meio das empresas de transporte. Para os promotores, a compra e a venda de veículos teriam sido usadas para dar aparência legal a recursos obtidos com atividades criminosas.

A Transwolff nega qualquer ligação com o PCC, assim como Milton Leite, que afirma ser inocente, rejeitando qualquer vínculo com integrantes do crime organizado. O ex-vereador também informou que se apresentaria às autoridades dentro do prazo de 24 horas.

Bookmark

Continue lendo

Política 10 out 2026

BOMBA! PF obtém emails que apontam uso da mesma conta bancária por Flávio e responsável pelas fraudes no INSS

Emails obtidos pela Polícia Federal indicam que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, tinha vínculo com uma conta do Santander associada ao advogado Willer Tomaz, investigado...

Educação, Negro 10 out 2026

Racismo e misoginia no WhatsApp: polícia investiga estudantes da UFMT

A Polícia Civil investiga denúncias de racismo e misoginia atribuídas a estudantes de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), após mensagens circularem em grupos...

Deixe seu comentário

Usamos cookies para melhorar sua experiência e analisar o tráfego. Veja a Política de Privacidade.