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Pessoas com deficiência enfrentam abismo social no Brasil

Pessoas com deficiência enfrentam desigualdades profundas na educação, na moradia e na representação política no Brasil, aponta estudo divulgado na sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Elaborado com informações do Censo de 2022 e de outras pesquisas, o levantamento antecede o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

A taxa de analfabetismo entre brasileiros com deficiência chegou a 21,3%, quatro vezes o índice de 5,2% registrado entre aqueles sem deficiência. Mesmo entre jovens de 15 a 29 anos, a diferença permanece elevada: 12,2% contra apenas 1%, mostrando que a disparidade não decorre somente da maior concentração de idosos nesse grupo.

O país tinha 14,4 milhões de moradores com deficiência a partir dos dois anos de idade em 2022, o equivalente a 7,3% dessa população. Desse contingente, apenas 56,6% viviam em residências atendidas simultaneamente por rede de água, coleta de lixo e esgotamento sanitário, percentual abaixo dos 60,2% observados entre pessoas sem deficiência.

A desigualdade também aparece no acesso à tecnologia e na estrutura urbana disponível perto das moradias. Enquanto 78,9% das pessoas com deficiência possuíam internet em casa, 67,4% conviviam com obstáculos nas calçadas e somente 12,9% tinham rampas para cadeirantes no entorno.

Entre crianças e adolescentes com deficiência, 30,1% moravam apenas com a mãe ou a madrasta, sem pai ou padrasto no domicílio. Nos lares abaixo da linha de pobreza, essa proporção alcançava 35,1%, enquanto somente 43,1% das mulheres responsáveis por casas com crianças com deficiência estavam ocupadas profissionalmente.

A exclusão se estende à política, com uma queda expressiva no número de pessoas com deficiência eleitas para cargos municipais. A quantidade de vereadores passou de 522 em 2020 para 391 em 2024, redução de 25,1%, enquanto o total de prefeitos caiu de 56 para 24, recuo de 57,1% no mesmo intervalo.

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