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PF aponta concentração de emendas em cidades-chave do PL antes das eleições

Antes das eleições municipais de 2024, emendas parlamentares atribuídas pela Polícia Federal (PF) ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, abasteceram cidades consideradas estratégicas para o partido.

Segundo levantamento publicado pelo jornal O Globo, cerca de R$ 97 milhões, de um total de R$ 119 milhões sob investigação, foram destinados a municípios onde candidatos da legenda disputavam ou buscavam fortalecer suas campanhas.

A maior parte dos recursos foi liberada poucos dias antes do início da restrição eleitoral para transferências voluntárias da União a estados e municípios. Seis repasses para Suzano, Porto Seguro, Caraguatatuba, Bebedouro, Ubatuba e Rio de Janeiro concentraram aproximadamente R$ 96,7 milhões.

Com exceção de uma transferência realizada em 1º de julho para a capital fluminense, todas as demais foram empenhadas em 26 de junho de 2024. Os valores foram destinados à área da Saúde, modalidade que permite a transferência direta aos fundos municipais e possibilita uso imediato pelas prefeituras. Pela legislação, pelo menos metade das emendas parlamentares deve ser aplicada nesse setor.

Entre os maiores beneficiados está Suzano (SP), que recebeu R$ 26,8 milhões durante a gestão de Rodrigo Ashiuchi, do PL, que articulava a eleição de Pedro Ishi, vencedor do pleito.

Porto Seguro (BA) foi contemplada com R$ 24,9 milhões antes da reeleição de Jânio Natal, também do PL. Em Caraguatatuba (SP), o município recebeu R$ 23 milhões, embora o candidato apoiado pela legenda tenha sido derrotado.

Segundo a PF, Valdemar, mesmo sem mandato parlamentar, indicava os repasses, que eram formalmente registrados em nome de deputados para dar aparência de legalidade. Com base nas investigações, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do dirigente e suspendeu a execução das despesas relacionadas às emendas.

A investigação também cita documentos da Prefeitura de Caraguatatuba que atribuem oficialmente parte dos repasses à “Comissão da Saúde — Waldemar Costa Neto”, reforçando a linha de apuração da PF. Procurado por O Globo, Valdemar negou irregularidades e afirmou que os recursos foram destinados por meio das comissões parlamentares. Os prefeitos mencionados ainda não haviam se pronunciado.

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