Documentos obtidos por reportagem da Folha de S. Paulo mostram que o diretório nacional do PL, presidido por Valdemar Costa Neto, firmou um contrato de R$ 600 mil com a ONG Passos da Liberdade, sediada em Porto Alegre e comandada por Rodrigo Cassol Lima, que pretende disputar uma vaga de deputado estadual pelo partido no Rio Grande do Sul.
O acordo foi custeado com recursos do fundo partidário e prevê serviços de comunicação institucional e produção audiovisual voltados para Minas Gerais. Os pagamentos foram realizados entre janeiro e abril deste ano, em quatro parcelas de R$ 150 mil, conforme registros fiscais.
Enquanto executava esse contrato, a organização também desenvolvia o documentário “Nós”, obra que aborda a atuação de regimes comunistas em países do Leste Europeu após a Segunda Guerra Mundial. A produção cinematográfica contou com R$ 860 mil provenientes de emendas parlamentares apresentadas pelos deputados Mario Frias (PL-SP) e Marcos Pollon (PL-MS), além do então deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A direção do documentário é assinada por Gustavo Lopes, que ocupou a Secretaria Nacional do Audiovisual durante o governo de Jair Bolsonaro. Na equipe também estão Rodrigo Cassol Lima, como coprodutor e responsável jurídico, e Doriel Francisco, proprietário da Dori Filmes e corroteirista da obra.
Doriel também produziu “A Colisão dos Destinos”, documentário lançado neste ano que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo o trailer divulgado, as gravações de “Nós” ocorreram em países como Polônia, Alemanha, Hungria e República Tcheca. Apesar da temática, os responsáveis afirmam que a produção não estabelece relação com o ex-presidente.
Em nota, a Passos da Liberdade confirmou o contrato firmado com o PL e afirmou que o serviço contratado possui caráter institucional, sem vínculo com campanha eleitoral. A entidade também negou qualquer ligação entre o projeto “Nós” e o filme “Dark Horse”, ressaltando que ambos possuem financiamentos, objetivos e estruturas independentes.
Procurado para comentar o caso, o PL não respondeu até a divulgação das informações.
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