Seca prolongada coloca abastecimento de São Paulo em risco
A Região Metropolitana de São Paulo entra em 2026 sob forte risco de enfrentar restrições prolongadas no abastecimento de água. Uma análise técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indica que o Sistema Cantareira, principal fonte de água da capital e de cidades do entorno, deve permanecer pressionado ao longo do ano, mesmo em cenários mais favoráveis de chuva. A leitura é de que a recomposição dos reservatórios não ocorrerá no ritmo necessário para afastar medidas de contenção.
O alerta se apoia em um quadro climático adverso. Em 2025, o Sudeste atravessou a temporada mais seca da última década, com volumes de precipitação inferiores aos registrados na crise de 2014. Na bacia do Cantareira, o acumulado anual ficou cerca de 30% abaixo do esperado, derrubando o volume útil para patamares próximos de 20%, nível que aciona protocolos de restrição.
Com menos água disponível, a operação passa a limitar a retirada diária, reduzindo a pressão na rede e ampliando o risco de desabastecimento, sobretudo em áreas mais altas e periféricas.
Projeções do Cemaden consideram a média histórica e cenários com chuvas 25% e 50% abaixo do normal em 2026. Em nenhum deles aparece uma recuperação consistente. A Agência Nacional de Águas, que atua na gestão hídrica ao lado da Sabesp, acompanha a situação com preocupação e avalia que o período de contenção tende a ser longo, exigindo cortes adicionais para preservar os mananciais.
Na prática, a redução da vazão significa menos água chegando às torneiras. Em operação normal, o Cantareira fornece cerca de 33 mil litros por segundo; em faixa de restrição, esse volume cai para pouco mais de 23 mil, o que representa centenas de milhões de litros a menos por dia. A transposição de água de outras bacias segue em uso, mas também encontra limites, já que esses sistemas enfrentam estresse semelhante.
Especialistas apontam que o cenário atual difere de crises pontuais do passado. A sequência de anos secos, somada a padrões climáticos alterados e ao aquecimento dos oceanos, tem ampliado bloqueios atmosféricos e dificultado chuvas regulares sobre as bacias. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista defendem que o racionamento pode se tornar inevitável se não houver reversão rápida do quadro.
Enquanto isso, medidas emergenciais já foram ampliadas, como a gestão da demanda noturna, definida pelo comitê de segurança hídrica que reúne a Arsesp e a SP Águas. A estratégia reduz o fornecimento por horas contínuas durante a noite. Autoridades reconhecem que novas ações podem ser necessárias caso o sistema atinja a chamada Faixa 5, de restrição máxima.
Diante desse panorama, a avaliação técnica converge para a necessidade de adaptação permanente: uso racional da água, redução de perdas na distribuição e planejamento de longo prazo. A crise, indicam os especialistas, não deve ser tratada como um evento isolado, mas como um desafio estrutural para a segurança hídrica da maior metrópole do país.
BookmarkContinue lendo
Integrantes do PL estariam sendo pagos para atacar colegas do próprio partido
Perfis bolsonaristas relatam ter recebido propostas de dinheiro para atacar, nas redes sociais, integrantes de alas rivais do próprio partido. Segundo relatos publicados no X e...
Zambelli pede doações de R$ 50 mensais para se manter na Itália
A ex-deputada de extrema-direita, Carla Zambelli, está foragida na Itália desde 2025, após ser condenada a dez anos de prisão pelo STF. Zambelli foi incriminada após...
Após faturar R$ 150 milhões por ano com Bets, Corinthians fala em conscientizar público sobre apostas
O Corinthians defendeu a retomada das atividades das casas de apostas no Brasil durante audiência pública realizada nesta terça-feira (3), no Supremo Tribunal Federal (STF). O...
Governo Lula quer separar discussão da redução da maioridade penal da PEC da Segurança
A base do governo no Senado quer evitar a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública com a proposta da redução da...
Padilha rebate clubes de futebol e diz que prioridade são vítimas das bets, não salários e adicionais milionários
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou os argumentos apresentados por representantes de clubes de futebol durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira...
Você viu todas as matérias.
Não foi possível carregar. Toque para tentar de novo.





