SP registra maior número de mortes em ações policiais em seis anos
O estado de São Paulo encerrou 2025 com o maior número de mortes de civis em ações policiais dos últimos seis anos. Dados do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), vinculado ao Ministério Público, apontam 877 registros no período, patamar superior ao observado no início da pandemia, quando foram contabilizadas 856 ocorrências.
Após dois anos consecutivos de queda, com 626 casos em 2021 e 477 em 2022, a curva voltou a subir a partir de 2023, primeiro ano da gestão de Tarcísio de Freitas. De lá para cá, o crescimento acumulado chega a 60%. Em paralelo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública registrou 30 mortes violentas de profissionais da segurança pública no estado no ano passado.
O avanço da letalidade não ficou restrito à capital. Quase 40% das ocorrências foram registradas no interior, especialmente nas regiões de Campinas e Piracicaba. Organizações de direitos humanos também identificam alta expressiva na Baixada Santista e em São José dos Campos, indicando que o fenômeno se espalha por diferentes áreas do território paulista.
O perfil das vítimas segue um padrão recorrente: homens jovens, negros e moradores de periferias. Casos recentes envolvendo dois homens mortos por agentes da Rota, na capital, reacenderam o debate sobre a condução das operações. Familiares e testemunhas contestaram a versão oficial apresentada no boletim de ocorrência.
Especialistas apontam mudanças em políticas de controle como um dos fatores para a reversão da tendência de queda observada em anos anteriores. O modelo atual de câmeras corporais, que substituiu o sistema de gravação contínua, é alvo de críticas por depender de acionamento manual e apresentar falhas técnicas.
O aumento das mortes decorrentes de intervenção policial contrasta com a redução de 5% nos homicídios dolosos entre 2024 e 2025 em São Paulo. Para pesquisadores, o dado levanta dúvidas sobre a eficácia de estratégias baseadas no confronto direto como principal resposta à criminalidade.
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