Suspeitos pela morte de Orelha já estão no Brasil
Os adolescentes investigados por maus-tratos contra o cão comunitário Orelha, morto após agressões na Praia Brava, em Florianópolis, já estão de volta ao Brasil. A informação foi confirmada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (29). Segundo os investigadores, a viagem ao exterior ocorreu depois do crime, mas fazia parte de um roteiro previamente planejado, o que, até o momento, não caracteriza tentativa de fuga.
As apurações apontam que quatro menores participaram do espancamento. Dois deles já haviam sido alvos de uma ação policial no início da semana, enquanto os outros dois retornaram recentemente dos Estados Unidos. Por se tratar de adolescentes, dados como nomes, idades e endereços permanecem sob sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O procedimento que apura o ato infracional tramita na Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital, e ainda não há data definida para a oitiva dos envolvidos.
Além dos menores, a investigação alcançou três adultos da mesma família. Dois pais e um tio foram indiciados sob suspeita de tentar intimidar uma testemunha-chave do caso. A vítima seria um vigilante de condomínio que teria em posse uma imagem considerada relevante para o esclarecimento dos fatos.
O crime ocorreu no dia 4 de janeiro. Orelha foi encontrado gravemente ferido por pessoas que estavam na praia e levado para atendimento veterinário. No dia seguinte, diante da gravidade das lesões, o animal precisou ser submetido à eutanásia. Laudos periciais indicaram que ele sofreu um forte impacto na cabeça causado por um objeto contundente, que não chegou a ser localizado.
A Polícia Civil também apura um segundo episódio envolvendo outro cão comunitário, Caramelo, que teria sido jogado ao mar pelos mesmos adolescentes. Embora não existam imagens do momento exato das agressões, os investigadores analisam mais de mil horas de gravações de câmeras da região e colhem depoimentos para reconstruir a dinâmica do caso.
Orelha era um dos símbolos da Praia Brava. Cuidado por moradores e comerciantes, o cão era conhecido pela docilidade e pela convivência tranquila com frequentadores e turistas, o que aumentou a comoção e a cobrança por respostas após o crime.
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