Trump reduz vacinas recomendadas para crianças
Atendendo o movimento antivacina e os extremistas de seu governo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (10) uma ordem executiva que reduz de forma significativa as vacinas recomendadas para crianças no país.
O novo modelo estabelece 11 imunizações como núcleo do calendário infantil, deixando de recomendar de forma rotineira vacinas contra doenças como rotavírus, influenza, meningite e Covid-19. Trump também defendeu que a tríplice viral — contra sarampo, caxumba e rubéola — seja dividida em três aplicações separadas, contrariando as orientações adotadas há décadas pelas principais entidades médicas.
A decisão se alinha às posições do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., um dos principais expoentes do movimento antivacina nos Estados Unidos. Durante a assinatura, integrantes do governo voltaram a relacionar vacinas ao autismo, apesar de essa associação ter sido repetidamente refutada por estudos científicos.
Entidades como a Academia Americana de Pediatria criticaram a medida e alertaram que espaçar ou atrasar imunizações pode deixar crianças desnecessariamente expostas a doenças evitáveis.
A ofensiva ocorre em um cenário particularmente preocupante: os Estados Unidos enfrentam queda nas taxas de vacinação e o ressurgimento de doenças como o sarampo. Especialistas temem que a interferência política nas recomendações científicas aumente a desconfiança dos pais e amplie a hesitação vacinal.
O episódio mostra como o avanço global do movimento antivacina deixou de ser apenas um fenômeno de desinformação nas redes sociais e passou a influenciar diretamente políticas públicas. Quando teorias desacreditadas cientificamente chegam aos centros de poder, o risco deixa de ser individual: a redução da cobertura vacinal compromete a proteção coletiva e cria condições para o retorno de doenças que haviam sido controladas.
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