Pressão do MP faz partidos reagirem contra infiltração de facções
Partidos políticos passaram a adotar, às vésperas das eleições de 2026, mecanismos para tentar impedir a entrada de candidatos ligados a facções criminosas e milícias. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, as providências começaram a ganhar força em junho, após o Ministério Público Eleitoral (MPE) recomendar às legendas a criação de protocolos para verificar o histórico dos pré-candidatos e reduzir o risco de infiltração do crime organizado na política.
Entre as medidas colocadas em prática estão a apresentação de certidões criminais, declarações sobre patrimônio, termos de idoneidade e documentos nos quais os interessados afirmam não possuir ligação com organizações criminosas.
O MPE também sugeriu a criação de comissões de sindicância ética e procedimentos para identificar possíveis sinais de financiamento ilegal de campanhas. A iniciativa, porém, provocou resistência dentro das próprias siglas. Dirigentes partidários avaliam que algumas exigências transferem às legendas atribuições que caberiam às polícias, ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral.
Carlos Massarollo, presidente do Mobiliza, afirmou que os partidos não dispõem da estrutura investigativa dos órgãos públicos. Rui Pimenta, presidente do PCO, também criticou a recomendação e questionou a obrigação de as legendas investigarem previamente seus filiados.
Antes da orientação do MPE, o MDB era o único entre os oito maiores partidos da Câmara que já havia estabelecido uma norma específica para 2026 destinada a dificultar a entrada de integrantes de organizações criminosas.
Depois da cobrança, outras siglas começaram a se movimentar. O Republicanos criou regras que incluem declaração de ausência de vínculos com grupos criminosos. No Distrito Federal, o PL instituiu uma comissão de integridade e passou a exigir informações patrimoniais, certidões criminais e declaração de idoneidade. O União Brasil também adotou resolução local.
Cidadania, Podemos, PSDB, Novo, Missão, PSTU, PV, UP e PCdoB informaram possuir ou preparar mecanismos de controle. PT e a direção nacional do PL não responderam aos questionamentos apresentados pela reportagem.
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