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Michelle Bolsonaro e Bia Kicis recebem R$ 200 mil de empresário que esteve na Lista Suja da escravidão

Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, candidatas do PL ao Senado pelo Distrito Federal, receberam R$ 100 mil cada do empresário Simão Sarkis, que esteve na Lista Suja do trabalho escravo. As transferências ocorreram em setembro e aparecem em levantamento da Repórter Brasil sobre contribuições de empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.

A apuração identificou pelo menos R$ 837,4 mil destinados às eleições de 2026 por 13 pessoas incluídas no cadastro federal em diferentes períodos. O dinheiro alcançou 15 candidatos de nove partidos, em disputas pela Presidência, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.

Sarkis entrou na relação em junho de 2013, após uma fiscalização resgatar dez trabalhadores de uma fazenda em Paracatu, Minas Gerais. Os funcionários enfrentavam alojamentos inadequados e falta de higiene, com relatos de banho em uma barragem utilizada pelo gado e consumo de água de uma cisterna desprotegida.

O maior repasse encontrado foi de Rafael Bemerguy Sefer, que transferiu R$ 380 mil para a reeleição do irmão, Gustavo Sefer, deputado estadual do Pará pelo PSD. Incluído na Lista Suja em abril deste ano, Rafael foi responsabilizado após o resgate de 17 trabalhadores em uma fazenda de Altamira.

No Maranhão, Florêncio Neto recebeu R$ 130 mil do pai, que também passou pelo cadastro. Em Minas Gerais, Mateus Simões obteve R$ 50 mil de um empregador registrado após uma operação numa carvoaria.

Mauro Mendes recebeu R$ 10 mil de um empresário incluído na relação em 2004. Candidaturas do Podemos, Novo e PT também receberam contribuições identificadas pela reportagem.

Os dados eleitorais consultados estavam disponíveis até 16 de setembro, e a presença na Lista Suja não torna uma doação automaticamente ilegal. A maioria dos candidatos e doadores procurados não respondeu, enquanto o Novo em Mato Grosso do Sul declarou não ter responsabilidade pelos atos dos contribuintes.

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