Skip to content Skip to footer

PF mira suposto uso de gravações para influenciar decisões judiciais em Curitiba

A Polícia Federal recolheu, durante uma operação na 13ª Vara Federal de Curitiba, realizada na última semana, um vídeo que reacendeu suspeitas antigas sobre a conduta de integrantes da magistratura que atuaram no período anterior e posterior à Lava Jato.

O material, conhecido nos bastidores como “festa da cueca”, registra um encontro entre juízes federais e garotas de programa em um quarto de hotel de cinco estrelas em Curitiba. A gravação, que teria circulado há duas décadas, foi apreendida em meio a uma varredura determinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

As investigações miram possíveis irregularidades cometidas entre 2005 e 2019, incluindo o uso de informações sigilosas para pressionar decisões judiciais. Segundo relatos de bastidores, reuniões semelhantes eram financiadas por escritórios de advocacia e aconteceriam mensalmente.

A ação ainda resultou na apreensão de arquivos impressos de investigações antigas, entre eles papéis ligados ao empresário Tony Garcia e registros de delações de Alberto Youssef, produzidos antes de a Lava Jato se tornar um caso de repercussão nacional.

Garcia, que já havia prestado delação em 2004, acusa ex-integrantes da força-tarefa, especialmente o então juiz Sérgio Moro, de tê-lo forçado a realizar gravações clandestinas contra autoridades políticas e empresariais. Ele afirma que a própria “festa da cueca” teria sido registrada por meio de uma câmera escondida, posteriormente usada para constranger integrantes do Judiciário.

A 13ª Vara, que se tornou símbolo da Lava Jato, volta assim ao centro de uma disputa sobre métodos de investigação e conduta institucional. Em 2024, o Conselho Nacional de Justiça já havia apontado que Moro teria atuado de forma articulada com procuradores para direcionar recursos bilionários à criação de uma entidade privada — conclusão rejeitada pelo ex-magistrado.

Agora, com as apreensões recentes, a PF tenta reconstruir a cadeia de documentos, arquivos e gravações que sustentam as denúncias de Garcia. A Justiça Federal do Paraná, até o momento, não apresentou posicionamento sobre o caso.

Bookmark

Continue lendo

Deixe seu comentário

Usamos cookies para melhorar sua experiência e analisar o tráfego. Veja a Política de Privacidade.