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Extorsão mediante sequestro

Imagem: Morry Gash / AFP

Existe um delinquente à solta, na arena internacional. Um malfeitor poderoso como nenhuma outra cabeça de organização criminosa, na história da humanidade.

Trata-se de um meliante extremo, no topo da maior pirâmide de assassinos já vista, capaz de exterminar a vida no planeta Terra. Extermínio com opções crônica, com o incentivo à continuidade da queima de combustíveis fósseis, ou aguda, nos poucos minutos de uma guerra global termonuclear.

Essa figura, violenta como Mussolini, misantrópica como Hitler, e com intelecto próximo de um Bolsonaro (escolha, o leitor, qualquer integrante do clã), incorre na prática da extorsão mediante sequestro.

Em síntese, na definição do senso comum e do artigo 159 do nosso Código Penal – não o do cabalístico direito bárbaro dos anglófonos – implica na privação da liberdade da vítima, em troca de vantagem material.

Há seis décadas, as armas à disposição do sequestrador transcenderam o dano potencial a indivíduos, grupos, classes, cidades ou países, e passaram a mirar o fim da existência, possibilidade “racionalizada” pela equação da “destruição mútua assegurada”, apropriadamente designada ”Mad”, do acrônimo em inglês.

O grande divulgador científico e destacado humanista, Carl Sagan, ilustrava o equilíbrio do terror da “Mad” como dois inimigos mergulhados numa mesma piscina de gasolina até a cintura, ameaçando-se de fósforos nas mãos.

As respectivas ordens ideológicas sustentaram que a “racionalidade” das lideranças impediria o apertar do botão. De um lado, os burocratas e oligarcas, educados na compreensão do sistema-mundo, fariam sua parte na necessária contenção. Este lado, grosso modo, ainda assim opera.

Do outro lado, na Avenida Pensilvânia, estaria sempre sentado um centrado representante das elites econômicas, descendente de aristocráticas famílias da Costa Leste, cercado de perspicazes assessores e voltado para o lucro, o bem maior de seus principais patrocinadores, sob a encenada farsa pseudodemocrática.

O problema, agora, reside aí, no lado antes denominado “ocidental”. A lógica dominante não é mais gerada, nem muito menos gerida, pelos ganhos dos donos de uma sociedade de produção e consumo em massa, cuja forma política correspondente era uma ilusória democracia de massas.

Cálculos imediatistas substituíram o planejamento estratégico no coração do capital; o arremedo democrático tornou-se inútil ante a mobilização neofascista; e estadistas minimamente esclarecidos foram destronados por sacerdotes da imbecilidade coletiva, seguidos por multidões que acreditam que o leite achocolatado vem de vacas marrons.

É neste cenário que o gângster dos gângsteres, pedófilo contumaz, narcísico ao ponto de cunhar moedas com seu nome e efígie, aos olhos do qual a Casa Branca é uma corrupta Sociedade Anônima multiplicadora da própria fortuna, assumiu o controle do botão do apocalipse.

Tal como a cadeira de chefe do Salão Oval é para ele uma ferramenta de amealhar bens, o botão vermelho é, nos dedos do facínora, apenas um mecanismo de chantagem.

Bem sucedido nas extorsões e psicopata do quilate de seus antecessores fascistas, Trump é o Hitler do século XXI. Achar que o tirano se contentará com o óleo venezuelano é o mesmo que supor que o führer deteria sua fome de conquistas com a anexação dos Sudetos, em setembro de 1938.

Trump não sequestrou Maduro, e sim toda a Raça Humana.

Normando Rodrigues

Advogado, mestre em Direito, assessor da FUP, ex-professor da UFRJ e apresentador do programa Trilhas da Democracia.

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